Cultura

Galeria do Semba abre este mês no Centro Recreativo e Cultural Kilamba

Jomo Fortunato

A Galeria do Semba, espaço contíguo ao Centro Recreativo e Cultural Kilamba, pretende ilustrar a história do semba , enquanto género musical, através de um acervo iconográfico e sonoro, constituído por fonogramas, fotografias, capas de discos, cartas, instrumentos musicais de executantes referenciais e outros documentos autênticos, dispostos em ordem cronológica.

Semba ganha esta sexta-feira, em Luanda, uma galeria onde as pessoas poderão encontrar informações sobre este estilo musical
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

A Galeria do Semba inclui ainda no seu projecto, a criação de um Centro de Documentação e Informação e vai acolher uma vasta programação de extensão cultural, com destaque para concertos acústicos de pequena dimensão, visitas programadas de estudantes, ateliers e debates sobre a criação, produção, edição, promoção e distribuição da discografia e títulos bibliográficos sobre o semba. 

O projecto pretende estar integrado no roteiro turístico de Angola, dando a conhecer à generalidade do público, nacional e estrangeiro, a história do semba, aproximando, num só espaço, para além da generalidade do público, cantores, compositores e instrumentistascontemporâneos e da nova geração, que contribuíram e têm contribuído para a edificação da história da Música Popular Angolana, em particular do semba.
Com a Galeria do Semba estará facilitado o acesso e fruição da generalidade do acervo iconográfico sobre a história do semba, proporcionando o gosto e conhecimento dos principais referentes culturais no domínio de um género musical que teve a sua origem e desenvolvimento na região de Luanda e no espaço linguístico kimbundo.
A Galeria do Semba vai reforçar, igualmente, o intercâmbio cultural e comercial entre as instituições culturais, agências de turismoe instituições congéneres, proporcionando o debate sobre a criação musical contemporânea na sua relação com a história da Música Popular Angolana.

Estrutura

No interior da Galeria do Semba, o visitante poderá ter acesso a textos e imagens em disposição cronológica, com destaque para o conhecimento sobre a “A história da palavra semba na literatura angolana”, “O processo de formação da estrutura rítmica do semba”, “Evolução diacrónica da massemba”, “Figuras referenciais da massemba” (1920-1958), tais como Zito Garrido Malafaia, José Abel Fontes Pereira, também conhecido por, “Abel Mwene Ó Dikota”, Maria Teresa Diogo de Jesus, vulgo “Maria Escrequenha”, Mestre Geraldo, José Francisco André, João Bartolomeu (João Tempo), Cândido João (Sabú), Bartolomeu Manuel Napoleão, Salustiano Pinto Ferreira, entre outros. Estão, igualmente, representadas de forma simbólica as turmas e musseques e sua importância na formação da música popular, “Temas gerais das canções” e a formação do semba, ou seja, a sua evolução a partir da transposição dos ritmos da massemba para as guitarras, por um processo de analogia sonora.

Formação

O processo de transposição do Kaduque, da massemba, dos ritmos do carnaval e da kazukutapara as guitarras, deu origem à “Batida Descompassada” do Liceu Vieira Dias e ao semba, pelas propostas inovadoras de José Maria e Nino Ndongo, nas suas mais variadas figuras rítmicas conhecidas. O semba, na rítmica do José Maria e Nino Ndongo, veio a ser absorvido por importantes guitarristas posteriores como José Keno, dos Jovens do Prenda, que diz ter sido influenciado pela generalidade da música do Ngola Ritmos, Duia, do conjunto os Gingas, Marito Arcanjo, na canção “Rosa Rosé”, dos Kiezos, Botto Trindade, dos Bongos, que herdou a rítmica do Ngola Ritmos pelo Carlitos Vieira Dias, Manuel Marinheiro do África Ritmos, Mingo, dos Jovens do Prenda, e Quental do conjunto Águias Reais.

Renovação

Uma das características da música popular é a sua facilidade de diálogo e de abertura a outros estilos e sonoridades, num processo de Renovação Estética do semba. Cantores e compositores como Catarino Bárber, Kinito, Rui Mingas, Filipe Mukenga, André Mingas, Carlitos Vieira Dias, Filipe Zau, Waldemar Bastos, Carlos Nando e, mais recentemente, Carlos Lopes, entre outros cantores e compositores da nova geração, estabelecem uma simbiose entre o semba e as variantes técnicas e estilísticas assentes nos padrões da música universal. O movimento da Renovação Estética está representado na Galeria do Semba.

Temporadas

Espaço dinâmico por excelência, a Galeria do Semba terá na sua programação cultural váriastemporadas temáticas, homenagens, colóquios, seminários sobre a biografia dos cantores, compositores e conjuntos musicais que fizeram história. Num processo de reconstituição histórica da Música Popular Angolana, as temporadas serão orientadas por especialistas, convidados de prestígio e figuras de mérito reconhecido, que farão depoimentos orais sobre as suas vivências e experiências pessoais. Neste sentido a Galeria do Semba é um espaço aberto a projectos e contribuições de estudiosos, instituições e pessoas singulares.

Inauguração

A programação da cerimónia inaugural, prevista para o próximo dia 24, às 16h00, no Centro Recreativo e Cultural Kilamba, inclui a abertura solene da Galeria do Semba com um breve discurso da Presidente da Comissão Administrativa de Luanda, seguida de uma visita guiada à galeria. O momento cultural será preenchido com a exibição do grupo musical da Casa da Cultura do Rangel, que vai interpretar o tema “Dyá Ngó kuburisékima”, um clássico do cancioneiro musical luandense.

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