''Génesis'' ultrapassa novas fronteiras


13 de Abril, 2015

Fotografia: Reuters

''Génesis'' o último grande trabalho do fotógrafo brasileiro Sebastião Salgado, com mais de 200 fotografias sobre os locais recônditos, resultado de oito anos de trabalho e de 30 viagens pelo mundo, está patente em Lisboa.

“Génesis”, que já esteve exposta em Londres, Paris, Nova Iorque e Barcelona, entre outras cidades, e vista por mais de dois milhões de pessoas, está organizada em cinco secções e é um alerta para a necessidade de preservação do Planeta e de inversão do rumo de destruição das florestas e exploração dos recursos naturais.
O artista referiu na inauguração da mostra que “foram dois anos a preparar e a pesquisar antes de se aventurar em mais de 30 viagens pelo mundo”.

''O Sal da Terra''

O documentário “O Sal da Terra”, que teve estreia mundial no festival de Cannes do ano passado, com direito a menção especial do júri na secção Um Certo Olhar/Un Certain Regard, mostra a vida e a obra de Sebastião Salgado.
O artista explica no documentário que vê a fotografia “ o trabalho de esculpir com luz” e conclui, dos percursos de quatro décadas pelo mundo inteiro, que são as pessoas “o sal da terra”.
Sebastião Salgado, 70 anos, nasceu em Minas Gerais e viveu em Paris, onde começou a fotografar. Trabalhou para agências de fotografia como a Sygma, Gamma, Contact ou Magnum e publicou o primeiro livro, “Outras Américas”, em 1986. “Trabalhadores”, a sua obra mais conhecida, foi publicada em 1993.
Sete anos depois lançou “Êxodos”, sobre as migrações. Sebastião Salgado documentou o atentado a tiro cometido em 30 de Março de 1981, em Washington, por John Hinckley Jr. contra Ronald Reagan, então Presidente dos EUA.
A venda das fotos a jornais de todo o mundo permitiu-lhe financiar o primeiro projecto pessoal: “Uma Viagem a África”. O seu primeiro livro, “Outras Américas”, sobre os pobres na América Latina, foi publicado em 1986. No mesmo ano editou “Sahel: O Homem em Pânico” resultado de uma colaboração de 12 meses com a ONG Médicos sem Fronteiras, que lhe permitiu fotografar a seca no Norte da África. Entre 1986 e 1992, concentrou-se na documentação do trabalho manual em todo o mundo, que publicou com o nome “Trabalhadores Rurais”.
De 1993 a 1999, Sebastião Salagado voltou sua atenção para o fenómeno global de desalojamento em massa de pessoas, que resultou em “Êxodos” e “Retratos de Crianças do Êxodo”publicados em 2000.
“Mais do que nunca, sinto que a raça humana é somente uma. Existem diferenças de cores, línguas, culturas e oportunidades, mas os sentimentos e reacções das pessoas são sempre semelhantes. Pessoas fogem das guerras para escapar da morte, migram para melhorar a sorte, constroem novas vidas em terras estrangeiras e adaptam-se a situações extremas”, escreve na introdução de “Êxodos”.
Sebastião Salgado, que recebeu praticamente todos os principais prémios de fotografia do mundo, fundou em 1994 a sua própria agência de notícias, “As Imagens da Amazónia”.
Actualmente é embaixador da Boa Vontade da UNICEF e membro honorário da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos.

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