Genialidade de Bosch exposta no Museu do Prado


12 de Junho, 2016

Fotografia: Reuters

O “universo” do pintor holandês Bosch pode ser descoberto no Museu do Prado em Madrid, desde ontem, numa exposição que é considerada pela crítica mundial como “a mais completa e a de melhor qualidade”.

A exposição de Bosch, a grande aposta do Museu para 2016, foi planeada por anos e apresenta pela primeira vez 21 quadros originais de Hieronymus Bosch e oito desenhos atribuídos ao artista, o que constitui mais de 75 por cento das suas obras até aos dias de hoje.
A comissária da mostra El Bosco, Pilar Silva, especialista em pintura espanhola, flamenga e das Escolas do Norte da Europa, escolheu uma mostra monográfica, com os seis temas que marcam a produção do artista, como o tríptico “Ecce Homo”, ou  “Peter van Os”.
Mais de 500 anos passados sobre as suas criações, disse Pilar Silva, a originalidade do universo dos quadros de Bosch continua a maravilhar o público em geral e a influenciar artistas. “Original é também a forma como o Museu apresenta os quadros, sendo possível ver a parte de trás de muitos deles, revelando assim outras obras do pintor quase nunca vistas. Para tal, foram criadas estruturas ondulantes que levam o visitante a serpentear pelo percurso”, explicou.
A exposição vem também pôr em evidência que “Bosch é um elo na cadeia da tradição holandesa, fazendo a ponte entre a Idade Média e a Renascença”, para Alejandro Vergara, curador do Museu do Prado especializado em pintura flamenga.
“A mostra dá a descobrir um Bosch muito além dos anjos e demónios, dos animais fantásticos e figuras etéreas que identificam o universo criado pelo mestre holandês e nos anos 1920 influenciou de forma determinante o movimento surrealista”, disse.
Porém, Pilar Silva não se cansa de dizer que Bosch era conhecido quase só pelos seus demónios. “Mas ele copiava tudo da realidade, era e é muito mais do que os demónios. Bosch é um pintor original. A sua capacidade de inovação, tanto técnica como iconográfica, distanciam-no do que era feito na sua época. Mas parte do que o rodeia, da realidade”, sublinhou.
Além das seis obras pertencentes ao Museu do Prado, apresentadas como “as maiores e as melhores do Mundo”, a exposição conta com empréstimos importantes e “sempre difíceis de conseguir”, sublinha Pilar Silva, como as “Visões do Além”, da Galeria da Academia de Veneza, ou “Juízo Final”, do Museu de Bruges.
“Infância e Vida Pública de Cristo”, assim como o restaurado tríptico “A Adoração dos Reis Magos”, fazem parte do primeiro núcleo expostos até o dia 11 de Setembro. “Os Santos” é o tema do segundo conjunto de obras, o maior de todos. “O Mundo e o Homem” e “Paixão de Cristo” encerram a exposição de arte.

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