Gigante da indústria cultural pode voltar ao disco e ao livro

Mário Cohen
15 de Setembro, 2016

Fotografia: Paulino Damião

A ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, disse, ontem, em Luanda, que a Empresa Nacional do Disco e Publicações (Endipu) é um gigante da indústria cultural adormecido que precisa de uma intervenção urgente, para reconquistar o seu lugar no mercado nacional.

Falando à imprensa no final de uma visita às instalações da Endipu, a ministra da Cultura garantiu que o seu pelouro vai ajudar a empresa a sair da crise que vive há anos, tendo exortado a comissão de gestão a trabalhar com investimentos privado, devido ao uso das novos tecnologias.
Carolina Cerqueira disse que os órgãos do Ministério da Cultura não se podem limitar a viver só do Orçamento Geral do Estado, pois como avançou “devem criar políticas que perspectivam o futuro, assim como ter visão de atrair investimento para arrecadar fundos.”
A Empresa Nacional do Disco e Publicações (Endipu), um gigante das indústrias culturais no país, disse a ministra, produziu trabalhos discográficos de grandes nomes do panorama musical nacional, com destaque para as obras “Sembele”, de Bangão, “Tio Zé”, de Moniz de Almeida, “Avô Kumbi”, de Nick, “Makumba gostosa”, de Toy Cazevo, “Renascer”, de Zé do Pau, “Chegou a hora”, dos Versáteis, “Malamba”, do trio Kussanguluka,  e “Memórias de Luanda”, uma colectânea de música variada, além de “Andamba avuidi”, do grupo folclórico Konono Molende.
O ministério da Cultura, disse, criou uma comissão de gestão que está a trabalhar num diagnóstico no qual “vamos procurar parcerias pública e privada com objectivo desenvolver as indústrias culturais no país.”
Para o coordenador da comissão de gestão da Endipu, Manuel Nicolau Diongo, está-se actualmente a desenvolver políticas que ajudam a resolver os problemas de ordem financeira que a empresa enfrenta no momento.
Actualmente, explica, a empresa sobrevive das receitas adquiridas do aluguer do salão de actividades para a realização de eventos culturais, festas de aniversário e casamentos, que não garantem o pagamento dos salários dos funcionários. 

Casa Njinga Mbande

Depois de visitar a Endipu, a ministra da Cultura terminou, ontem, a sua jornada de campo com uma visita à Casa de Cultura Njinga Mbande, no distrito urbano do Rangel, na qual aproveitou a ocasião para oferecer àquela instituição obras literárias de autores nacionais, para enriquecer o acervo da biblioteca Manuel Pedro Pacavira.
Carolina Cerqueira ficou impressionada com a declamação do poema de Agostinho Neto “Havemos de voltar”, em língua quimbundo, por alunos de várias escolas do distrito urbano do Rangel.
Para ministra, foi uma honra ter visitado a Casa de Cultura Njinga Mbande, assim como ver crianças a declamarem poemas do Poeta Maior. “Isto dá a entender que os alunos têm conhecimento das obras do Fundador da Nação. Espero que desta casa saiam muitas rainhas, porque este edifício recebe o nome de uma grande figura, a Rainha Njinga Mbande”.

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