Governo francês deixa vender tesouro


21 de Março, 2015

Fotografia: Reuters

O Estado francês está a ser acusado por não ter impedido a família Rothschild de vender duas importantes obras de Rembrandt consideradas por alguns especialistas em arte como um “tesouro único”.

A decisão está a gerar muita polémica em França, particularmente no mundo da Arte, porque alguns especialistas esperavam que as obras fossem classificadas como património francês e impedidas de saír do país. A família de banqueiros já anunciou a venda das obras por 150 milhões de euros.
Em causa estão dois retratos do jovem casal Maerten Soolmans, de 21 anos, e Oopjen Coppit, de 23 anos, representantes das elites burguesas de Amesterdão. Rembrandt pintou-os antes do seu casamento, em 1634. As pinturas estão em mãos privadas desde sempre. Primeiro na família dos protagonistas das obras e mais tarde na família Rothschild. Foi em 1877 que os dois retratos foram comprados por Gustave de Rothschild. É desde essa altura que as pinturas estão em França. Agora os quadros podem sair de França, porque Éric de Rothschild, o actual proprietário, obteve a autorização de exportação.
Os principais jornais de França alimentam a polémica e querem saber porque razão o Governo francês não impediu temporariamente a venda das obras no estrangeiro. “Não há dinheiro para isso”, alegou o Ministério da Cultura.
A direcção do Museu do Louvre, liderada por Jean-Luc Martinez, também não se mostrou interessada em comprar as obras por falta de fundos. O Louvre já tem, na sua colecção, o famoso “Bestsabé no Banho”, entre várias obras do mestre holandês.
Porém, apesar das várias explicações, as críticas têm-se multiplicado. A publicação especializada “La Tribune de L’Art” lamenta a posição do museu mais visitado do mundo e que o Estado francês perca estas duas obras que só foram expostas ao público duas vezes no ano de 1956 – as duas na Holanda, no Rijksmuseum (Amsterdão) e no Boymans van Beuningen (Roterdão). O site “La Tribune de L’Art”, dedicado às artes, recorre à lei do património francês para defender que os dois retratos deviam ter sido classificados como tesouros, submetendo-os assim a um regime especial que os impede de serem vendidos durante 30 meses. “Éric de Rothschild está no seu direito de vender. Mas houve um tempo em que a sua família foi a grande mecenas dos museus franceses. O próprio, aliás, é membro do conselho de administração da Sociedade de Amigos do Louvre”, lê-se no “La Tribune de L’Art”. Berjot Vincent é o director do Património francês e já garantiu que a decisão de permitir a exportação das obras foi discutida em colectivo, tendo participado nela também o director do Louvre.
A família Rothschild não tem falado. Éric de Rothschild admite ter pedido de facto um certificado de exportação, que lhe foi concedido, mas não diz para que efeito o quer. As obras pertencem à primeira época de Rembrandt como retratista. Quanto retratou Maerten Soolmans e Oopjen Coppit, o pintor tinha 26 anos e tinha mudado há pouco tempo para Amesterdão.

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