Grande aposta na expansão da rebita

Mário Cohen |
4 de Setembro, 2015

Fotografia: Maria Augusta

A valorização e maior divulgação da rebita, enquanto símbolo da cultura nacional, é uma das apostas do Ministério de tutela, afirmou quarta-feira em Luanda a ministra Rosa Cruz e Silva, durante um encontro com os integrantes do grupo Os Novatos da Ilha do Cabo.

Rosa Cruz e Silva referiu que o Ministério da Cultura pretende criar políticas melhores para não deixar extinguir esta dança de salão. Nessa perspectiva, ofereceu ao grupo várias concertinas, instrumentos musicais usados na execução da rebita, para poder realizar os ensaios e actividades artísticas com regularidade.
A oferta é parte de um projecto que pretende difundir essa dança, mas ainda precisa de um maior esforço dos investigadores e dos fazedores desta arte “de forma a se deixar um legado concreto às novas gerações”. “É importante a participação de todos e mais apoio a grupos como Os Novatos da Ilha que têm feito de tudo para preservar as danças típicas do país”, disse.
A ministra da Cultura reconheceu que a oferta de concertinas é insuficiente porque há outros instrumentos como a dikanza que também têm de ser valorizados. “Temos de criar uma nova linha de produção desses instrumentos musicais”, perspectivou.
Rosa Cruz e Silva referiu que as concertinas são mais difíceis de obter por serem importadas, mas os outros instrumentos como a dikanza podem ser fabricados no país em grande escala. “Agora é preciso apenas criar mais oficinas e redes de recolha dos materiais para o fabrico com o intuito de desenvolver um ambiente propício à sua produção”, disse Rosa Cruz e Silva.
O objectivo é apoiar também os projectos de outros grupos através de novos programas de divulgação destas danças, com o apoio da direcção provincial da Cultura.
A ministra salientou que Os Novatos da Ilha são um dos poucos grupos de dança de salão sobreviventes que continuam a passar o seu testemunho aos jovens. “O ministério vai incluir nas agendas culturais de Luanda regularmente a exibição da rebita como uma marca de referência da cultura nacional”, acentuou a responsável.
Rosa Cruz e Silva prometeu ainda trabalhar mais com a nova geração de artistas, particularmente os praticantes de danças de salão, como a rebita, de forma a deixar um legado seguro desta arte.

Aulas para crianças

O secretário-geral dos Novatos da Ilha do Cabo e mais velho do grupo, Bartolomeu Manuel Napoleão, disse que actualmente os grupos de dança têm desvalorizado certas danças de salão como a rebita em detrimento de outras com que os jovens mais facilmente se identificam.
Bartolomeu Napoleão solicitou ao Ministério da Cultura que crie uma competição para os grupos de rebita. “Para a rebita não morrer decidimos dar aulas em breve a crianças a partir dos 12 anos de idade”, informou. “Jaburú Malanha”, como é conhecido nas lides da dança, disse que na época em que foi fundado Os Novatos da Ilha, em 1954, existiam muitos grupos de dança mas, hoje, a juventude, desconhece algumas regras.
“Grupos como o Muxima Ngola, o Rebita Maria das Escrequenhas, ou o Santa Barbara, do Mestre Geraldo, que foram referências nos 70, actualmente já não existem. Os concursos de rebita também deixaram de existir. Alguns grupos da nova geração como o Lambada do Maculusso, que dança rebita com compassos modernos, desconhecem certas regras”, disse.

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