Cultura

Grupo Ancestrais Bailados dá espectáculo no Cazenga

Manuel Albano

“Retrato de um Povo” é o título do espectáculo de dança e artes dramáticas que o grupo Ancestrais Bailados apresenta, hoje, às 18h30, no Auditório da Mediateca “Zé Du”, no município do Cazenga, em Luanda.

Colectivo realizou uma digressão ao Brasil onde apresentou várias performances
Fotografia: DR

O espectáculo, criado em forma de obra, retrata várias etapas da história e vivência dos povos africanos, em particular o angolano, desde o tráfico transatlântico de escravos na era colonial até à contemporaneidade.
O director do grupo, Diogo Pedro, disse ao Jornal de Angola que o espectáculo faz uma incursão sobre as políticas abolicionistas do tráfico de escravos e da escravatura desde 1840, cujo peso ajudou a terminar com o negócio da escravatura.
Cronologicamente, explicou, a peça foi produzida para exibir diferentes momentos da História, desde o processo do tráfico transatlântico de escravos em Angola, na era colonial, que levou um número indeterminado de africanos, à força, para outros continentes.
As consequências deste processo são exploradas, explicou, de forma dramática durante o espectáculo interactivo, para os espectadores conhecerem mais a “relação triangular” que ligou África, América e Europa, num comércio de seres humanos.
Em 1h30, o grupo, fundado em 2004, faz uma reflexão sobre os sacrifícios feitos pelos africanos na luta contra a abolição da escravatura, a conquista das independências, a actual questão das terras, o assédio sexual e a preservação de certos costumes nas zonas rurais.
A peça, que também realça aspectos culturais de algumas tradições da Ilha de Luanda, faz ainda uma incursão sobre a questão do amor e certas conflitualidades muito comuns hoje nas grandes cidades.
Diogo Pedro informou ainda que o espectáculo inclui três percussionistas, um marimbeiro, 15 bailarinos e actores de teatro. Mas, durante o desenrolar da peça, são feitas referências a vários heróis africanos pelo contributo prestado em prol das independências de certos países. Figuras como o camponês, operário, professor, estudante, ou o polícia também são representadas. 
Também é objectivo do espectáculo, destacou, chamar a atenção da sociedade pela degradação dos valores e da actual situação sociocultural do país.

Digressão

O grupo de dança Ancestrais Bailados, do Cazenga, realizou uma digressão, este ano, ao Brasil, por 20 dias, durante os quais apresentaram o espectáculo “Retrato de um Povo”. Além da exibição, o colectivo participou de várias outras actividades socioculturais.
As similitudes culturais, disse Diogo Pedro, ajudaram no processo de interacção e troca de experiências com os grupos e associações que trabalham e apoiam projectos socioculturais, ligados a crianças e adolescentes desfavorecidos.

Trajectória

Actualmente, referiu, o grupo tem 15 bailarinos, quatro percussionistas e dois marimbeiros. A vocação principal do grupo tem sido a preservação do mosaico étnico-cultural nacional, através de espectáculos, palestras e conferências.
Sedeado no município do Cazenga, o grupo é caracterizado pelas danças tradicionais, tendo como principal objectivo desenvolver a harmonização cultural, divulgar e valorizar danças de raiz, como a chianda, cabecinha, ou rituais como o xinguilamento.
Fundado pelo coreógrafo Wilson Manuel Serafim, o grupo fez, em 2013, a abertura oficial do campeonato do Mundo de Hóquei em Patins, realizado no país, sob a orientação dos professores Sacaneno João de Deus e Ana Clara Guerra Marques.

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