Cultura

Grupo Bisma das Acácias mostra folclore angolano

Manuel Albano | São Paulo

A identidade angolana ganhou vida nos palcos de São Paulo, Brasil, no domingo, durante um espectáculo do grupo de dança Bismas das Acácias, realizado na Casa de Cultura Chico Science, numa iniciativa do Colectivo Raízes, no âmbito do Festival de Cinema, Artes e Literatura Africana (Fescala).

Danças que retrataram o património cultural dos povos ovimbundus têm sido um dos principais focos de estudo do colectivo
Fotografia: DR

O grupo, que fez a primeira actuação no Brasil e está em São Paulo, desde o final de semana, apresentou, no espectáculo, a “poesia” dos ritmos angolanos, numa exibição assente em coreografias rurais, danças folclóricas e patrimoniais dos povos ovimbundu.
No final da actuação, o grupo fez, ainda, uma performance com percussionista afro-descendentes brasileiro, do qual resultaram novas sonoridades e uma fusão de estilos tradicionais. A actuação dos dois colectivos despertou curiosidade do público.
A responsável pelo grupo angolano, Deolinda Trindade, considera o intercâmbio uma “janela aberta” para a criação de novos acordos de cooperação e uma boa oportunidade para melhor promover a cultura angolana, assim como incentivar a aproximação entre africanos e os afro-descendentes.
Durante a estada, adiantou, o Bismas das Acácias vai, ainda, participar em debates e seminários sobre as danças tradicionais africanas, com realce às angolanas. “Temos agendado oficinas de arte, gratuitas, para os interessados em saber mais sobre as danças de Angola”, esclareceu.

Promoção
O coordenador do colectivo Raízes, Issaka Mainassara Bano, disse que, até ao momento, têm conseguido cumprir com os pressupostos do festival.
“As actividades socioculturais têm sido um factor de união, no mês da Consciência Negra”, disse, além de agradecer os participantes por estarem a ajudar a fortalecer o intercâmbio cultural.
O festival, continuou, é um espaço criado, também, como forma de incentivar o entrosamento entre os africanos e os afro-descendentes brasileiros. “É preciso reforçar o diálogo entre estes dois povos, separados pela escravatura, mas cujo contributo ajudou a elevar outras culturas.”

Diversidade
A mestre de capoeira brasileira Luana Bernardes, que fez uma exposição de alguns produtos cosméticos produzidos artesanalmente, chamou atenção para importância dos criadores serem mais diversificados e “aptos para trabalharem com o que tiverem a mão”.
A artista, que reconheceu a importância do festival na valorização da riqueza cultural dos africanos e afro-descendentes, também pediu maior respeito e preservação dos traços identitários de cada um dos países convidados, como forma destes manterem vivo os costumes que os diferenciam dos demais povos, num continente multicultural, como o africano.
Por sua vez, a costa-marfinense Asuan Ologuin, que trabalho com acessórios estéticos de beleza feminina, apresentou vários produtos ligados a este sector, destacou a importância do reforço da unidade cultural entre os africanos, como forma de melhor explorar e mostrar a “riqueza étnica do continente berço”.

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