Cultura

Grupo “Excesso de Cor” estreia a peça “Ingratidão”

O grupo de teatro “Excesso de Cor” estreia, amanhã, às 20h00, no Elinga Teatro, em Luanda, uma peça de intervenção social, intitulada “Ingratidão”, que terá uma segunda sessão, a partir das 21h30.

Fotografia: DR

Encenada pelo director de teatro Walter Cristóvão e produzida pelo projecto Cena Livre Teatro, a obra inspira-se na história de jovens albinos que enfrentaram diferentes situações de estigma.

Pretende-se com o trabalho, de acordo com Walter Cristóvão, combater o preconceito racial e facilitar a inclusão dos albinos na sociedade. Trata-se, na verdade, de um grupo social bastante marginalizado em alguns países de África, no geral, e em algumas zonas de Angola, em particular.
“O projecto é contra todos os que maltratam pessoas albinas, desde os familiares até aos agentes empregadores e as pessoas nas ruas ou táxi”, disse Walter Cristóvão, que avançou pretenderem mudar a consciência das pessoas em relação ao albinismo.

Para tal, o encenador disse ter optado pela inclusão exclusiva de actores albinos. “Antes de escrever a obra, tive uma espécie de terapia com eles. São sete e cada um contou-me a sua história. Fiquei mais sensibilizado”, sustentou.

É pretensão do projecto Cena Livre Teatro apresentar a peça noutras localidades fora de Luanda, como as províncias do Huambo, Benguela e Malanje, nas quais prevê promover uma temporada entre Maio e Julho, para exibir o trabalho uma vez por semana.

Dados das Nações Unidas e da Organização Mundial da Saúde (OMS) referem que um em cada 18 mil cidadãos no mundo tem um tipo de albinismo, taxa que, nalgumas regiões de África, pode ser de um para cada 1.500.

É também no continente africano onde a discriminação e a perseguição aos albinos são mais acentuadas, atingindo, muitas vezes, níveis macabros.

Em Angola, as autoridades ainda não dispõem de estatísticas reais para precisar o número de cidadãos albinos espalhados pelo país.

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