Cultura

Grupo brasileiro de teatro exibe “Momentos Estéreis”

Manuel Albano

O grupo brasileiro de teatro, Estrada, apresenta a peça “Momentos Estéreis”, hoje às 19h00, no Centro Cultural Brasil -Angola (CCBA), em Luanda.

Actores brasileiros exibem hoje a peça “Momentos Estéreis”
Fotografia: DR

Escrita pela dramaturga Paloma Dourado, em 2012, o grupo actua no quadro da programação das actividades culturais do CCBA, em parceria com o Circuito Internacional de Teatro (CIT) que decorre até 16 de Setembro.
Paloma Dourado escreveu a peça, quando estudava dramaturgia na Escola de Teatro em São Paulo, sob coordenação de Marici Salomão. A peça narra o processo de estudo do teatro "becktiano" e contemporâneo e procura um diálogo com a sociedade urbana na qual o artista (dramaturgo) cria na actualidade.
Embora o texto estivesse pronto desde 2012, os primeiros passos para a concepção do espectáculo foram iniciados em 2013, com a leitura dramática dos actores Fernanda Bugallo e Nando Almeida. A seguir, o grupo Estrada apresentou-se em 2014, na Satyrianas, no Estado de São Paulo.
A autora referiu, que “Momentos Estéreis” é um espectáculo que reflecte o momento da criação de uma obra artística. “Que situações são colocadas, pensar no que se quer dizer, pensar em personagens que irão compor e dar vida a tudo. São duas personagens que tentam encontrar uma trajectória que os tire do estado de inércia. Uma eterna espera, por um percurso real que não existe, e o medo do nada, os aterroriza. Personagens recriam uma trajectória inacabada, por um autor que tenta a todo custo encontrar a inspiração”.
 O grupo regressa aos palcos no domingo às 19h00, com a peça “Mármores”, também de autoria da directora do grupo Estrada, Paloma Dourado. O tema permite uma reflexão sobre o abuso sexual contra crianças e adolescentes, além de colecta de dados estatísticos de diversos sectores públicos.
A apresentação das peças visa festejar os 20 anos de existência do grupo, cujo trabalho é fruto de pesquisa da linguagem, construída com base em Samuel Beckett e do Teatro da Morte, com Tadeuz Kantor, em que a linguagem é repensada por meio da palavra, dos espaços e imagens, sonoplastia e iluminação.
Por mais que a temática seja sobre abuso sexual infantil, a dramaturga Paloma Dourado esclarece, que o foco do espectáculo “é a tensão psicológica entre as personagens no decorrer da trama. Nesse espectáculo, a acção transpassa a realidade e cria um outro lugar para o embate com os espectadores”, disse a encenadora.

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