Cultura

Grupo Pitabel apresenta peça no palco da Trienal

A obra “O Preço do Fato II” é exibida, às 20h00, pelo Colectivo de Artes Pitabel, no palco Ngola, do Palácio de Ferro, sede da III Trienal de Luanda, uma continuidade do espectáculo original estreado há mais de dez anos.

Colectivo de artes leva hoje à cena uma história sobre o tradicionalismo e modernismo
Fotografia: Paulino Damião|Edições Novembro

Na peça, Cristina, uma jovem de 20 anos, natural de Mbanza Kongo, província do Zaire, influenciada pelos hábitos e costumes de Luanda, onde cresceu, vê a sua relação amorosa em risco devido à tradição.
Depois de uma série de conflitos ideológicos e étnicos, Cristina insiste em não cumprir a tradição e acaba por morrer. Na tentativa de se procurar as causas da morte, surgem vários questionamentos. A família materna reivindica o desaparecimento físico da jovem perante a paterna. E, daí, estende-se o drama novamente.
Resultado de uma criação colectiva, “O Preço do Fato II” é encenada por Adérito Rodrigues “Bi” e sonoplastia de Tony Frampénio. O elenco é constituído por Tio Kibukidi (personagem de Lopes Filho), Sucaina (Carla Esmeralda), Cristina (Nelma Nunes), Matondo (Dilson Miguel), Matumona Ndombele (Carlos Nunes), Yalukombo (Constância Lopes), Paulo Pimentel (Adérito Rodrigues) e Maria Pimentel (Neide Shintia).
Fundado em Luanda há 16 anos, o Pitabel tem na sua galeria o Prémio Nacional de Cultura e Artes edição 2010, na categoria de teatro. Em 2006, venceu o Prémio Cidade de Luanda, no mesmo ano arrebatou duas edições do prémio DSTV- BWE. Em 2009, ganhou do prémio Nacional do Ensino Particular Identidade Cultural.
Refira-se que na primeira edição do FESTA 2017 (Festival de Teatro Angolano) organizado pela III Trienal de Luanda, o Pitabel exibiu no dia 13 de Janeiro, no mesmo espaço, o espectáculo de teatro “O Preço do Fato I”.

Música folclórica
O grupo Kamba dya Muenho encerra hoje, às 16h00, no Palácio de Ferro, o projecto de divulgação da música e dança tradicional, que nos últimos três meses, levou ao espaço da Trienal de Luanda quatro grupos folclóricos angolanos.
Kamba dya Muenho, assim como Kituxi, Nguami Maka e Semba Muxima são os grupos que participaram nesta iniciativa da Trienal de Luanda, que apostou na música de raiz. O projecto teve início no dia 4 de Maio.
As exibições aconteceram as quintas-feiras sob a coordenação de Jorge Mulumba, permitindo que este segmento musical alcançasse, não apenas o seu público, mas uma plateia menos familiarizada com esta rítmica.
Esta é a terceira passagem do Kamba dya Muenho no projecto, depois das apresentações nos dias 25 de Maio e 22 de Junho. Este concerto no palco “Axiluanda” é dedicado à música angolana na III Trienal de Luanda.  Lutuima Sebastião (hungo, puíta e voz), Agostinho António (ngoma solo), Martinho Fernando (dikanza), Manuel Cariongo (ngoma base) e António Nunes (mukindo) são os protagonistas do concerto que se vai centralizar nos temas dos álbuns “ITA” (1996), “Kangoia” (1998) e “Ua Jiza” (2004).
O grupo actuou no dia 26 de Agosto de 2016, no Festival Zwá | Pura Música Mangop.
Em 2000, obteve a classificação de “Melhor Grupo Tradicional” e o tema “Kangoia” considerado como música “Revelação” no concurso Top Rádio Luanda. Em 2004, classificou-se em 5.º lugar no concurso "Top dos Mais Queridos" da RNA. No mesmo ano, o tema “Ua Jiza” foi classificado como “Melhor Música Tradicional do Ano”.

Da utopia à realidade
A III Trienal de Luanda teve início no dia 1 de Novembro de 2015 e estende-se até finais de Agosto próximo, sob o lema “Da utopia à realidade”. Esta iniciativa cultural visa resgatar, preservar e divulgar as obras e os criadores angolanos que trabalham para o desenvolvimento da nossa hegemonia cultural, nas mais variadas disciplinas artísticas.
Do tradicional à arte multimedia, a Trienal de Luanda é um exercício que se contrapõe à violência, respeita a diferença, redimensiona e valoriza o outro, enquanto sujeito artístico de acção, tendo como objectivo "o resgate, através das Artes Visuais e Cénicas, os orbes da nossa memória colectiva".
Nesta vertente, a III Trienal de Luanda já realizou, de Novembro de 2015 a 16 de Julho deste ano, 2.467 eventos (artes visuais, cénicas, literatura, projecto educação e entrevistas), 2.112 artistas participaram, com um total de 247.672 visitantes, em 538 dias de actividades.

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