Cultura

Grupos de Luanda dançam para munícipes

Manuel Albano e Pereira Dinis

Um pouco por todos os bairros de Luanda, os grupos carnavalescos das três classes competitivas A, B e C, saíram, ontem, à rua, para dançar o Carnaval, constatou o Jornal de Angola numa ronda efectuada pela capital.

Fazedores da “festa” saíram ontem à rua para mostrar o que levaram este ano até à pista da Marginal da Praia do Bispo
Fotografia: Dombele Bernardo| Edições Novembro

Embora se tenha registado um ambiente calmo e tranquilo nas primeiras horas do dia de ontem, o cenário foi mudando, aos poucos, no período da tarde, quando os grupos carnavalescos e foliões foram às ruas mostrar a comunidade parte da performance apresentada no desfile de mais uma edição do Carnaval de Luanda, cujo acto central foi realizado, na segunda-feira, na Marginal da Praia do Bispo.

Os desfiles, cuja duração depende apenas da “disposição” dos integrantes dos grupos, são uma das novidades deste ano do carnaval de Luanda, implementada de forma a aproximar mais os “fazedores da festa” dos foliões e dos habitantes dos municípios de origem.
A ideia é recuperar as “antigas tradições” da “festa do povo”, pouco valorizadas hoje, devido à questão do tempo de desfile nas comunidades dos grupos, que antes dançavam à terça-feira e tinha apenas a quarta-feira, dia normal de trabalho e para o anúncio dos grupos, para passarem nos bairros de proveniência.

Cumprir a tradição
Por volta das 15h00, o Mundo da Ilha desfilou em compassos de semba até aos habitantes da Chicala. O grupo, que começou a “festa” de rua mais cedo, saiu da sede, junto à base naval da Marinha de Guerra, para os demais pontos. “Depois daqui vamos até ao Ponto Final”, disse António Custódio, presidente do União Mundo da Ilha.
Ontem, quem foi ver o desfile, por curiosidade ou para apoiar o grupo, teve de cumprir uma tradição de anos dos representantes dos ilhéus. Descalçar e sentar num luando para saber mais sobre o Mundo da Ilha. “É uma tradição local. Mostra respeito pelos costumes ancestrais”, informou o líder do grupo com mais títulos do Carnaval, 13, e este ano falou sobre a importância dos transportes públicos.
Na rua desde as 9h00, com a fadiga nos ombros, o grupo passou inclusive por determinados locais da Ilha de Luanda, como restaurantes, para receber a contribuição, que poderia ser financeira ou não, para os festejos do dia. Nem mesmo o engarrafamento registado, devido à curiosidade dos transeuntes, impediu os dançarinos de desfilarem.
A tradição da “festa” de rua não ficou apenas limitada à Ilha de Luanda. Na Samba e Sambizanga também foi feito o desfile para os munícipes. O Kiela, do Sambizanga, usou a Avenida 12 de Julho, para dar uma amostra ao público, que não foi até à Marginal da Praia do Bispo, passear nesta edição.
Sob a liderança de Maravilha dos Santos, o grupo, que este ano defendeu o combate à corrupção, dançou mesmo cansado. “Apesar do cansaço dançamos para a comunidade que apoia o grupo a cada ano. Estamos convictos de um bom resultado este ano”, disse Maravilha dos Santos.

class="bold">Um dos ausentes
Um dos grupos que adiou o desfile foi o União Recreativo do Kilamba. O vencedor da edição passada do Carnaval de Luanda, que rendeu este ano tributo aos “filhos do Rangel”, não fez desfile de rua. Decidiu guardar energias para dançar apenas hoje. “Gostaríamos imenso de participar, mas infelizmente estamos muito cansados. O próximo ano vai ser diferente. Vamo-nos organizar melhor neste aspecto”, prometeu o comandante do Recreativo Kilamba, Poly Rocha.

Quarta-feira das Mabangas
Hoje é “Quarta-feira das Mabangas”. Data em que termina a “festa do povo” no país. As cinzas são, sempre, acompanhadas de lágrimas e protestos de alguns dos dirigentes dos grupos, que também ficam a saber hoje, na Liga Africana, o resultado do Carnaval de Luanda, em todas as classes.
Na “Quarta-feira de Cinzas”, data litúrgica que marca o início da Quaresma, a comissão organizadora abre as urnas com os votos do júri e faz o anúncio de quem são os vencedores e os que sobem de escalão na “festa do povo”.

Desfile de rua movimenta município de Viana

 

Ao som da cabecinha, kazucuta, semba e dizanda, dez grupos carnavalescos de Viana, Rangel, Cazenga, Kilamba Kiaxi e Maian-ga dançaram, ontem, o carnaval de rua do município satélite de Viana, numa iniciativa da Administração municipal.
Realizado na rua Hoji-ya-Henda, nas imediações dos Bombeiros de Viana, participaram no desfile cinco grupos infantis e igual número de adultos.
A festa do Entrudo, que não teve carácter competitivo, começou por volta das 17h00, com a classe infantil, na qual participaram os anfitriões Viveiros do Njinga Mbandi e Cassules do Geração Sagrada, do Hoji Ya Henda, do Cazenga, do Café de Angola (Kilamba Kiaxi), do Twafundumuca (Rangel) e do 10 de Dezembro (Maianga).
Na classe de adultos participaram o União Twabixila, Ju-ventude do Kapalanga, Njinga Mbandi, Unidos do Zango, de Viana, e Sagrada Esperança, do Rangel. Os cassules dançaram 20 minutos cada, enquanto os adultos mostraram a “ginga” em 25 minutos.
Com a excepção da sede de Viana, onde se divisavam jovens mascarados, em outras zonas do município, como Zango e Bom Jesus, os munícipes não realizaram o Carnaval de rua.
Em Viana, a reportagem do Jornal de Angola não viu grupos carnavalescos a dançar nas ruas como se fazia antigamente.
O director municipal da Cultura de Viana disse que a ideia em organizar o Carnaval de rua passa por trazer algo parecido ao que era realizado no antigamente. Melquim dos Santos referiu que este ajuste vai permitir resgatar a mística do Carnaval de rua e a interacção “com grupos de outros distritos e municípios, para melhor expandir os costumes e trocar experiências”.

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