Cultura

Grupos devem evoluir para o associativismo

Manuel Albano

O encontro sobre Carnaval juntou mais uma vez, na quinta-feira, em Luanda, investigadores e promotores culturais que pretendem transformar a maior manifestação cultural nacional num produto turístico e cultural atractivo, através de formas de financiamento no quadro das mudanças estruturais e estéticas que se prevê na organização.

Ministra da Cultura diz já ser o momento de mudanças na estética e organização do Entrudo
Fotografia: Paulino Damião | Edições Novembro

No “Encontro de Carnaval”, realizado no Espaço - Chá de Caxinde, numa actividade que decorreu no período das 15h00 às 18h00, foi apresentado o resultado de um ciclo de conferências sobre o Entrudo, promovido pela Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde, desde 2018, naquilo que a instituição designou de “Colóquio sobre o Carnaval - desafios da modernidade”.
Na abertura dos debates, o presidente de direcção da Associação Cultural e Recreativa Chá de Caxinde, António Monteiro “Bambino”, resumiu aquilo que são as ideias dos associados sobre o que se pretende para transformar de interesse comum, inclusivo, harmónico, inovador, moderno e reformulado, num produto atractivo, lucrativo e reformulado em todas as estruturas organizativas.
Na dissertação do tema “Estudo de caso do grupo União Operário Kabocomeu”, pelo encenador e actor Tony Frampênio e pelo jornalista cultural e filósofo Eugénio Coelho, ambos começaram por reconhecer as dificuldades encontradas na elaboração do trabalho. Tony Frampênio usou da palavra para fazer uma resenha do surgimento do grupo União Operário Kabocomeu, com base em estudos antropológicos. Na ocasião, a ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, garantiu apoiar o projecto, através do Instituto Nacional das Indústrias Culturais e Criativas (INIC).
Na opinião do actor e encenador, nas pesquisas elaboradas sobre os insucessos do União Operário Kabocomeu, está a fraca capacidade financeira e uma estrutura organizacional forte, dinâmica e inovadora.
O jornalista cultural e filósofo Eugénio Coelho, na sua intervenção, começou por resumir o trabalho em duas etapas: a primeira com a recolha de dados, depoimentos, memórias e vivências, usando fontes arquivistas e orais de personalidades que estiveram directa ou indirectamente ligadas à história do grupo, sendo a segunda etapa a compilação dos registos.
Eugénio Coelho reforçou as causas do fracasso de um dos mais emblemáticos grupos carnavalescos da capital sustentando a ideia segundo a qual, a contemporaneidade tem sido um desafio com as transformações socioeconómicas do país. E mais, na sua observação, alertou a direcção do União Operário Kabocomeu para se reformular em todas as estruturas, se quiser conquistar a sua mística entre os demais grupos.
Vencedor da primeira edição do Carnaval pós-independência, em 1978, o União Operário “Kabocomeu” foi fundado no dia 2 de Janeiro de 1952, em Luanda, pelo bailarino Joaquim António, o carismático “Desliza”, operário de construção civil que trabalhou nos armazéns da firma “Diogo e Companhia”, na época colonial.

Um fenómeno turístico
Para a ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, já é momento para haver mudanças estruturais na estética e organização do Entrudo, num processo que deve engajar toda a sociedade. “Precisamos olhar para a possibilidade do Carnaval tornar-se num fenómeno de atracção turística devendo, para isso, ser promovido, devidamente organizado e encarado como fonte de recursos e de benefícios para os seus organizadores, participantes e comunidades.”
Carolina Cerqueira falou sobre os financiamentos e o tipo de organização dos grupos, aconselhando-os a ter capacidade de conciliar os objectivos com “os imperativos da actualidade dado o contexto de reestruturação do país, independentemente dos apoios do Executivo para a realização do Carnaval.”
Os debates foram moderados por Agnela Barros. Depois dos momentos culturais, Luísa Fançony, da Luanda Antena Comercial (LAC) e membro da organização, apresentou as conclusões, que passam por reorganizar a estrutura interna dos grupos, discutir as formas de financiamento, preparar o júri com seminários, criar e rentabilizar as sedes dos grupos, caso existam, transformar os grupos em associações, realizar eleições e potenciar o estatuto da Associação Provincial do Carnaval de Luanda (Aprocal).

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