Grupos de Luanda apostam nas crianças

Mário Cohen |
27 de Março, 2016

Fotografia: Miquéias Machangongo

A aposta no teatro para crianças deve ser um dos principais objectivos dos grupos da capital, de forma a se assegurar o legado para as próximas gerações, disse, ontem, o encenador do grupo Dadaísmo.

Hilário Belson disse ao Jornal de Angola que é preciso existirem políticas mais activas capazes de despertar o interesse das crianças para o teatro. A maioria destes projectos, adiantou, devem estar ligados fundamentalmente as escolas do ensino geral.
“O teatro precisa estar mais próximo das crianças e estas não podem ver esta arte como uma actividade lúdica, mas sim um meio de formação e transmissão de princípios”, disse Hilário Belson.
Para o encenador uma das principais dificuldades vividas pelos grupos actualmente é a falta de salas e o preço de aluguer da maioria ainda fica além dos lucros obtidos pelos grupos. “O elevado custo de produção dos espectáculos e os gastos da publicidade acabam por não compensar o gasto de 50.000 kwanzas do aluguer.”
Outro aspecto a ser melhorado, destacou Hilário Belson, é a questão da diversidade de género dramáticos no teatro angolano. “Os espectáculos ainda são pobres neste aspecto. Os grupos tendem a explorar mais géneros como a comedia e o drama, do que a tragédia”, lamentou.
Os horários de exibição, explicou Hilário Belson, também são bastante criticados pelo público. “Porém, a maioria dos grupos só actua de noite por estar condicionado a disponibilidade das salas e as condições que estas oferecem”, disse. O número de estreias anuais também é muito reduzido na opinião de Hilário Belson. “Um dos principais empecilhos para isso é o número reduzido de salas apropriadas.”
O grupo Dadaísmo está a preparar, para breve, a estreia da peça “A Causa da Cidade”, um espectáculo de teatro escrito pelo actor e director adjunto do grupo, Carlos de Carvalho. Após essa estreia o grupo  abraça um novo projecto, denominado Lusofonia e Arte.

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