Cultura

Grupos de Luanda recebem verbas para o Carnaval

Mário Cohen |

Os responsáveis dos grupos crónicos candidatos aos lugares cimeiros do desfile competitivo da classe A de adulto do Carnaval de Luanda asseguram, ontem, na capital do país, que os subsídios dispo­nibilizados as agremiações carnavalescas pelo Executivo, através da Associação Provincial do Carnaval de Luanda (APROCAL), não satisfazem as suas necessidades nem dá para garantir uma grande festa de Entrudo para os luandenses.

Maravilha dos Santos garante que o Kiela vai dançar apesar da insuficiente verba recebida
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

A insatisfação foi anunciada à imprensa pelos responsáveis dos grupos União Kiela, União Operário Kabucomeu, ambos do Sambizanga, União 10 de Dezembro e o União 54, uma das mais antigas agremiações carnavalescas de Luanda.
Reagindo os descontentamento dos grupos, o secretário-geral da APROCAL, António de Oliveira “Delon” disse que houve um grande esforço da Comissão Preparatório do Carnaval de Luanda, na pessoa do governador da província, Adriano Mendes de Carvalho, para satisfazer as necessidade de ordem financeira dos grupos, que neste momento estão a preparar o Carnaval.
Em declarações à estação de rádio Luanda Antena Co­mercial (LAC), António de Oliveira “Delon” disse que foram disponibilizados para os grupos da classe A um milhão de kwanzas, 750 mil kwanzas para os da classe B e 500 mil kwanzas para os da categoria infantil, que vão desfilar os dias 10, 11 e 13 de Fevereiro na Nova Marginal da Praia do Bispo.
O secretário-geral da APROCAL afirmou que esta é a realidade financeira que a Comissão Preparatória do Carnaval de Luanda dispõe, tendo justificado que “se nós pagássemos os grupos com os vinte milhões de kwanzas disponibilizado pelo Executivo, garanto que daríamos aos grupos carnavalescos um valor na ordem dos quatrocentos mil kwanzas cada, que não serviria para nada.”
Maravilha dos Santos, co­mandante do União Kiela, do distrito do Sambizanga, afirma os valores que estão dar para os grupos não servem para nada, uma vez  que os trezentos mil kwanzas que foram acrescidos aos montante inicial que era de 700 mil kwanzas, apenas vai servir para a compra dos tecidos. “Se virmos bem a situação continua na mesma porque antes recebíamos setecentos mil kwanzas, mais apoio material, como tecidos, calçado e outros adereços”, lamenta a comandante do Kiela.
Maravilha dos Santos de­fende no mínimo que a APROCAL disponibilize para os grupos da classe A a quantia de 1.500.000 kwanzas, para cobrir as necessidades com a aquisição das indumentárias, como tecido e ténis, já “que não vamos receber este ano os tecidos, à semelhança das edições passadas que tínhamos direito desse produto.”
Em termo de patrocínio, Maravilha dos Santos confessa que o União Kiela, até à presente data não teve nenhum patrocinador e nos cofres do grupo só há um milhão de kwanzas que recebeu da APROCAL.
Manuel Júnior, responsável do União Operário Kabocomeu, alega que o valor disponibilizado não chega para satisfazer as necessidades do grupo face os projectos traçados para esta edição do Entrudo, mas garante que vão descer a Marginal da Praia do Bispo para dançar o Carnaval, com o estilo de dança que lhes é característico, a kazucuta.
Para o comandante mais titular do Carnaval de Luanda, Pedro Vidal, do 10 de Dezembro, do distrito urbano da Maianga, o valor disponibilizado pela APROCAL não satisfaz as necessidades para um grupo carnavalesco como o que dirige, que sempre se prepara levar o título para a sua galeria de troféus.
Apesar de lamentar, Pedro Vidal disse ser “o dinheiro que temos”, mas acredita que o 10 de Dezembro vai fazer um bom desfile no acto central do Carnaval, no dia 13 de Fevereiro, na Marginal da Praia do Bispo.
Pedro Vidal reconheceu que o seu grupo vai ter grandes dificuldades para fazer a alegoria que tenciona levar à Marginal da Praia do Bispo, porque os valores dados pela APROCAL não chegam para custear as despesas do 10 de Dezembro nesta edição do Carnaval.
O responsável do União 54 disse, ao Jornal de Angola, que o subsídio que o grupo recebeu não chega a 50 por cento do valor que as agremiações da classe A gastam para criar condições que permitem melhorar as suas representações no Carnaval.
Joaquim Bernardo Manuel disse que os valores dados ao grupo justifica o porquê de as últimas edições do Carnaval de Luanda terem sido um fracasso, perdendo a sua verdadeira tradição.

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