Cultura

Grupos desfilam hoje sem prémio garantido

João Upale | Moçâmedes

A presente edição do Carnaval no Namibe não vai ser competitiva, apenas festiva, por razões de ordem financeira, informou ao Jornal de Angola a directora provincial da Cultura, Euracema Major.

O desfile em algumas regiões não tem carácter competitivo devido a falta de patrocínios para outorga de prémios
Fotografia: Kindala Manuel|Edições Novembro

Os grupos participantes vão ser contemplados com cem mil kwanzas. Além disso, os desfiles vão ser realizados nos municípios, contrariamente às edições anteriores, em que as dificuldades financeiras impossibilitaram a presença dos grupos na capital da província.
Euracema Major disse ser muito oneroso para o alojamento e alimentação, por isso, “ cada município está a organizar-se para realizar o desfile nas respectivas zonas em simultâneo com a sede da província”.
A directora encorajou os munícipes, em particular os empresários, a primarem pela cultura de apoio ao Carnaval para que a festa não dependa somente do Governo, evitando que as próximas edições continuem sem apoios como acontece  na actual conjuntura.
Havendo contribuição de todas as forças vivas, a directora acredita que na próxima edição vai ser possível congregar todos os grupos num só lugar, isto é, na Marginal da cidade de Moçâmedes.
Apelou aos foliões dos diferentes grupos no sentido de pagarem as suas quotas, de maneira a fazer com que os grupos não sejam dependentes do subsídio do Governo provincial e do Ministério da Cultura, e pediu aos responsáveis dos grupos a primarem pela qualidade.
Em Moçâmedes estão inscritos onze grupos carnavalescos, dos quais cinco infantis, nomeadamente escolas 31 de Janeiro do Bairro dos Eucaliptos, Augusto Gangula, Comandante Kussy II, Pioneiro Zeca e 5 de Abril, enquanto na classe de adultos temos os grupos da Facada, Saco Mar, 5 de Abril, Saidy Mingas e Bairro Espírito Santo, bem como os papões Torre do Tombo e Forte Santa Rita, esses dois últimos já foram distinguidos pelo Ministério da Cultura, em 2013 e em 2016, respectivamente.

Euforia dos grupos
Os grupos de quatro municípios, à excepção do Camucuio,  estão a preparar-se para o desfile provincial, de terça-feira, apesar dos parcos recursos financeiros. Os responsáveis dos grupos carnavalescos foram informados das condições existentes para a realização do entrudo, num encontro de concertação e esclarecimento sobre alguns aspectos a ter em conta, sob orientação do governador Carlos da Rocha Cruz. />Os responsáveis dos grupos carnavalescos manifestaram as suas inquietações sobre  a aquisição de adereços, e outros materiais.
José António do Rosário, coordenador do grupo infantil do Bairro 5 de Abril, disse estar motivado a participar no entrudo, apostando na mobilização dos foliões do bairro 5 de Abril.
“Com ou sem dinheiro, o Carnaval é cultura! Quando o Governo nos apoiou nas edições anteriores,  fê-lo com meios, e não é agora que, por causa da crise económica e financeira, o 5 de Abril vai desistir”.
José Chongolola, presidente do grupo Bairro Espírito Santo, com mais de 500 integrantes na classe de adultos, referiu que a falta de competição, a prestação dos foliões vai ser superficial, se comparada com as edições anteriores. “Embora não haja o colorido que se espera-va, estamos dispostos a ir dançar o Carnaval com muita euforia”, disse, tendo aproveitado para lançar um apelo a todas as pessoas interessadas em ajudar o grupo.

 
Convidados estreiam na capital

Os grupos carnavalescos das províncias de Benguela, Cuanza-Sul, Huambo, Lunda-Norte e Cabinda ensaiaram, ontem, na pista da Marginal da Praia do Bispo, em Luanda, local que acolhe, hoje, o acto central do Carnaval.
Convidados para desfilarem sem concorrer, no Carnaval de Luanda, os grupos Bravos da Vitória da Catumbela (Bengue-la), Tchaco-Tchaco (Cabinda), União Muteba (Cuanza-Sul), Maringas (Lunda-Norte) e Ovinjenji (Hu-ambo) tiveram quase uma hora para se ambientarem com o local e conhecer os segredos da pista onde vão dançar pela primeira vez.
Membros da Comissão Na-cional do Carnaval aproveitaram o dia de descanso para levar os convidados a ensaiar, como forma de conhecer as dimensões em termos de largura e comprimento e a forma como devem se posicionar durante os desfiles.
A pista da Nova Marginal tem 300 metros de comprimentos e 20 metros de largura.
Cada grupo tem 25 minutos para mostrar ao público o que preparou em termos de “performance”. O desfile da classe A do Carnaval de Luanda vai contar com a participação de 12 grupos, a título competitivo, um homenageado (o União Jovens da Cacimba) e alguns blocos de animação.

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