Cultura

Grupos mostram classe e trocam experiência no entrudo fora de época

Mário Cohen |

O grupo carnavalesco União Jovens da Cacimba, do distrito urbano da Maianga, realizou, no sábado, na sua sede, em Luanda, a primeira edição do Carnaval no Quintal, com objectivo de congregar todos fazedores do Entrudo, assim como as agremiações carnavalescas.

Corte do União Jovens da Cacimba em exibição na primeira edição do projecto cultural Carnaval no Quintal com adesão de muitos foliões
Fotografia: Contreiras Pipa | Edições Novembro

Segundo o presidente do grupo, José Andrade, unificar os grupos para desenvolverem em conjunto a maior manifestação cultural, é uma das metas por se atingir, e o Carnaval, bem como brincar e dançar o Carnaval e trocar experiencias através de debates com os especialistas do Entrudo.
Além dos grupos convidados, União Recreativo do Kilamba e União Sagrada Esperança, do distrito do Rangel, União Kiela, do Sambizanga, União Njinga Mbande, do município de Viana, União Jovens do Mukuaxi, União Amozanas do Prenda, da Maianga e o União 54, da Maianga, também dançaram o Carnaval de Quintal.
O director da Cultura, da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda, Manuel Gonçalves, o secretário-geral da Associação Provincial do Carnaval de Luanda (Aprocal), Manuel de Oliveira “Delon”, o vice-presidente da União dos Artistas e Compositores para a Dança (UNAC), Manecos Vieira Dias e o directo de Cultura Domingos Lopes foram oradores do tema “Os limites da modernidade no engrandecimento do Carnaval de Luanda e preservar a identidade do mesmo como património”.
O Carnaval no Quintal é um projecto que vai ser realizado na primeira semana de cada mês, com temas diferentes. José Andrade aproveitou a ocasião para informar que o grupo pretende gravar um CD acústico, cuja música promocional de estilo semba foi apresentada aos convidados durante a actividade.       
Domingos Lopes louvou a iniciativa, tendo considarado como boa. “Carnaval fora de época é bastante positivo, e pelo nome que recebe 'Carnaval no Quintal', porque antes de tudo a festa do Entrudo começa no Quintal, depois é levado à Marginal”.
Na sua óptica, o Carnaval de Luanda está cada vez mais inovado e modernizado através da actuação de vários grupos, como os Jovens da Cacimba, a sua forma de dançar e cantar o semba”.
Consideoru que Pedro Vidal, comandante do União10 Dezembro, modernizou a forma de apresentação da figura do comandante, como um verdadeiro chefe de pelotão. “A inovação está presente em toda a vida do Carnaval”, afirmou, tendo adiantando que a permanente inovação traz algo diferente apreciado pelos grupos rivais e pelos espectadores durante desfile competitivo.
Manuel Gonçalves considerou de “um falso problema”, quando se afirma que o Carnaval não é moderno. Como exemplo, citou o União Njinga Mbande, União Kuenha, grupos que na sua opinião demonstram inovações e estilos de danças peculiares.
Acrescentou, igualmente, que a forma como o União Njinga Mbande reestruturou o seu grupo é um dos indicadores que estamos na presença da inovação, e que a tradição tem sido perpetuada.
“O Carnaval não está parado no tempo como muitos afirmam. Isso não condiz com a verdade, porque o nosso Carnaval é moderno”.  
Manuel Gonçalves aproveitou para informr que o grupo carnavalesco Unidos de Caxinde, do distrito da Ingombota, não desistiu do Carnaval de Luanda por classificação porque na altura havia ganho o desfile competitivo da classe A. “A sua desistência deve-se ao facto de não ter sido convidado pelo Executivo para celebrar os 35 anos da Independência de Angola”.
Maneco Vieira Dias afirmou que o Carnaval é moderno porque a forma de dança característica no tempo colonial difere do que fazemos hoje. Recordou que no período monopartidarismo, os grupos tinha como preocuapação o tema das canções, e as coreografias tinha que revelar o conteúdo das músicas, a ansiedade e desejo pela Paz.
“Tudo que apresentamos de novo para o Carnaval são elementos que não fogem da matriz tradicional, o que nos permite considerar que temos inovado”, disse Maneco Vieira Dias, citando como exemplo os grupos da primeira geração que continuam a dançar o Entrudo, tais como União Mundo Ilha , União Kiela e União 54.
Manuel de Oliveira “Delon” apelou aos fazedores de Carnaval para pensarem sobre a festa do povo todos os dias, e considerou o Carnaval no Quintal como um projecto válido fora de época. O secretário-geral da Aprocal disse que os grupos carnavalescos devem fazer das suas sedes uma oficina do Carnaval para bem dos foliões e para o desenvolvimento do Entrudo.
“Hoje a participação em massa da nossa juventude no Carnaval tem ajudado para a inovação do Entrudo”. Delon disse que antigamente a falagem de apoio eram “as nossas mamãs com bebés na costa, hoje é feito por um grupo de jovens com trajes, cantando e dançando, ajudando o grupo para uma boa classificação”.

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