Grupos mostram classe e trocam experiência no entrudo fora de época

Mário Cohen |
17 de Abril, 2017

Fotografia: Contreiras Pipa | Edições Novembro

O grupo carnavalesco União Jovens da Cacimba, do distrito urbano da Maianga, realizou, no sábado, na sua sede, em Luanda, a primeira edição do Carnaval no Quintal, com objectivo de congregar todos fazedores do Entrudo, assim como as agremiações carnavalescas.

Segundo o presidente do grupo, José Andrade, unificar os grupos para desenvolverem em conjunto a maior manifestação cultural, é uma das metas por se atingir, e o Carnaval, bem como brincar e dançar o Carnaval e trocar experiencias através de debates com os especialistas do Entrudo.
Além dos grupos convidados, União Recreativo do Kilamba e União Sagrada Esperança, do distrito do Rangel, União Kiela, do Sambizanga, União Njinga Mbande, do município de Viana, União Jovens do Mukuaxi, União Amozanas do Prenda, da Maianga e o União 54, da Maianga, também dançaram o Carnaval de Quintal.
O director da Cultura, da Comissão Administrativa da Cidade de Luanda, Manuel Gonçalves, o secretário-geral da Associação Provincial do Carnaval de Luanda (Aprocal), Manuel de Oliveira “Delon”, o vice-presidente da União dos Artistas e Compositores para a Dança (UNAC), Manecos Vieira Dias e o directo de Cultura Domingos Lopes foram oradores do tema “Os limites da modernidade no engrandecimento do Carnaval de Luanda e preservar a identidade do mesmo como património”.
O Carnaval no Quintal é um projecto que vai ser realizado na primeira semana de cada mês, com temas diferentes. José Andrade aproveitou a ocasião para informar que o grupo pretende gravar um CD acústico, cuja música promocional de estilo semba foi apresentada aos convidados durante a actividade.       
Domingos Lopes louvou a iniciativa, tendo considarado como boa. “Carnaval fora de época é bastante positivo, e pelo nome que recebe 'Carnaval no Quintal', porque antes de tudo a festa do Entrudo começa no Quintal, depois é levado à Marginal”.
Na sua óptica, o Carnaval de Luanda está cada vez mais inovado e modernizado através da actuação de vários grupos, como os Jovens da Cacimba, a sua forma de dançar e cantar o semba”.
Consideoru que Pedro Vidal, comandante do União10 Dezembro, modernizou a forma de apresentação da figura do comandante, como um verdadeiro chefe de pelotão. “A inovação está presente em toda a vida do Carnaval”, afirmou, tendo adiantando que a permanente inovação traz algo diferente apreciado pelos grupos rivais e pelos espectadores durante desfile competitivo.
Manuel Gonçalves considerou de “um falso problema”, quando se afirma que o Carnaval não é moderno. Como exemplo, citou o União Njinga Mbande, União Kuenha, grupos que na sua opinião demonstram inovações e estilos de danças peculiares.
Acrescentou, igualmente, que a forma como o União Njinga Mbande reestruturou o seu grupo é um dos indicadores que estamos na presença da inovação, e que a tradição tem sido perpetuada.
“O Carnaval não está parado no tempo como muitos afirmam. Isso não condiz com a verdade, porque o nosso Carnaval é moderno”.  
Manuel Gonçalves aproveitou para informr que o grupo carnavalesco Unidos de Caxinde, do distrito da Ingombota, não desistiu do Carnaval de Luanda por classificação porque na altura havia ganho o desfile competitivo da classe A. “A sua desistência deve-se ao facto de não ter sido convidado pelo Executivo para celebrar os 35 anos da Independência de Angola”.
Maneco Vieira Dias afirmou que o Carnaval é moderno porque a forma de dança característica no tempo colonial difere do que fazemos hoje. Recordou que no período monopartidarismo, os grupos tinha como preocuapação o tema das canções, e as coreografias tinha que revelar o conteúdo das músicas, a ansiedade e desejo pela Paz.
“Tudo que apresentamos de novo para o Carnaval são elementos que não fogem da matriz tradicional, o que nos permite considerar que temos inovado”, disse Maneco Vieira Dias, citando como exemplo os grupos da primeira geração que continuam a dançar o Entrudo, tais como União Mundo Ilha , União Kiela e União 54.
Manuel de Oliveira “Delon” apelou aos fazedores de Carnaval para pensarem sobre a festa do povo todos os dias, e considerou o Carnaval no Quintal como um projecto válido fora de época. O secretário-geral da Aprocal disse que os grupos carnavalescos devem fazer das suas sedes uma oficina do Carnaval para bem dos foliões e para o desenvolvimento do Entrudo.
“Hoje a participação em massa da nossa juventude no Carnaval tem ajudado para a inovação do Entrudo”. Delon disse que antigamente a falagem de apoio eram “as nossas mamãs com bebés na costa, hoje é feito por um grupo de jovens com trajes, cantando e dançando, ajudando o grupo para uma boa classificação”.

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