Guias de museus devem dominar línguas

Ana Paulo |
12 de Janeiro, 2017

Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

A ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, recomendou, ontem, em Luanda que os museus nacionais devem ter também guias que dominem as línguas nacionais e estrangeiras, para que os turistas nacionais ou não entendam o percurso histórico da escravatura, além da antropológica, arqueológica e militar.

A ministra fez esse pronunciamento no decurso da visita que efectuou ao Museu da Escravatura, tendo sugerido a compilação de fascículos e desdobráveis em diversas línguas, “porque os museus não devem estar abertos apenas para as pessoas que dominam o português”.
Adiantou que a língua “une-se com a museologia, tradição e com a história”, por isso, sustentou que a cultura seja compreendida além da dimensão histórica, deve ser mais abrangente.
Na sua óptica, os museus, enquanto espaços de cultura, investigação e ensinamento, devem ser modernizados. Para o efeito, garantiu contínua aposta na formação de quadros, na protecção do património, na diplomacia cultural sobre Mbanza Congo e intercâmbio com as fundações, associações internacionais, para o angariamento de recursos que façam crescer a cultura angolana.
Como projectos em curso para o desenvolvimento da economia da cultura, Carolina Cerqueira mencionou a potencialização da Escola de Artes (Cearte), que de ponto de vista académico e metodológico está bem estruturado.
A ministra visitou também as novas instalações do mercado do artesanato, adjacente ao Museu da Escravatura. Trata-se de uma estrutura moderna com muitas potencialidades, facilidades de exposição, manutenção e venda de peças utilitárias, bijuterias e artesanato.
Os artesãos apresentaram várias preocupações, particularmente dificuldades que atravessam no novo espaço de venda, como a falta de tendas apropriadas para época chuvosa, e a falta de maior divulgação do local nos órgãos de comunicação social.
Carolina Cerqueira prometeu atender as preocupações dos artesãos em colaboração com o Ministério do Ambiente, Turismo e do Governo Provincial de Luanda, “vamos trabalhar para melhoria das condições de abrigo”.
No final da visita, a ministra apelou à União Nacional dos Artistas Plásticos (UNAP), União dos Escritores Angolanos, associações filantrópicas e de investigação a continuar a trabalhar para o crescimento da cultura.
A visita da ministra da Culturaconsta no programa das actividades alusivas ao 8 de Janeiro, Dia Nacional da Cultura, cujo acto central decorreu no Cine Chiloango, na província de Cabinda.  
Por seu turno, o director do Museu da Escravatura, Vladimir Fortuna, informou que a instituição precisa de aumentar os número de artefactos sobre dados históricos do tráfico de escravos e da escravatura.
Também há necessidade de se fazer uma prospecção arqueológica, quer em terra quer por no mar, porque existem destroços de muitos barcos que transportavam escravos a partir dos antigos reinos de Angola ao redor do Museu Nacional da Escravatura, criado em Dezembro de 1977, e que  recebe mensalmente, em média, três mil visitantes, dispõe de cincos guias, e tem como objectivo ilustrar e manter vivo a memória de todo o genocídio em que os africanos foram sujeitos durante o tráfico negreiro.

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