Cultura

Guilherme Mampuya prepara novas propostas

Manuel Albano

A criação de uma maior aproximação entre os artistas e o público, levou o escultor e pintor Guilherme Mampuya a criar um projecto, para os próximos dois anos, de criação de um museu de arte no Zango I, por trás do mercado distrital, informou ontem artista angolano.

Artista tem projectos em carteira para os próximos anos a serem implementados no Zango
Fotografia: Edições Novembro

Depois de ter inaugurado, em Dezembro de 2016, a própria galeria de arte, no mesmo espaço, materializando um sonho, o artista plástico de renome nacional e internacional mostra-se determinado a materializar mais um dos vários projectos em carteira, como forma de deixar um legado às novas gerações.

A pequena obra, erguida de raiz, está orçamentada em cem mil dólares e vai ser erguida segundo padrões modernos. O museu de arte, garantiu ao Jornal de Angola, inclui salas de esculturas e quadros, bazar e uma zona de conferência. O projecto, disse, visa dar maior dignidade e valorizar os trabalhos dos artistas, consagrados ou não no mercado nacional e internacional, que assim podem mostrar as novas tendências da arte contemporânea. “O projecto vai, também, dar resposta à necessidade de acomodação das obras”.

Projecto multi-funcional

Nos últimos três anos, o espaço tem promovido debates sobre as artes e feito um acompanhamento das actividades culturais desenvolvidas localmente, por iniciativas individuais e colectivas, que ajudam a dinamizar as artes no distrito do Zango. Desde a abertura do atelier, primeira fase do projecto, explicou, o espaço tem acolhido vários projectos artísticos e sociais, como o “Palavra Poética”, que promove diversas sessões de poesias, cantadas e declamadas, música alternativa, venda de livros e sessão de autógrafos, bem como exposições de artes plásticas, em diferentes modalidades.

Com a construção do museu, acrescentou, Luanda vai ganhar um espaço de referência, que vai ajudar a promover os trabalhos de muitos pintores no país. As dificuldades em conservar as obras estão com os dias contados, de acordo com o pintor. Mampuya disse ter já coleccionado mais de 50 obras, entre telas e esculturas, assentes em acontecimentos positivos e negativos da sua vivência e sobre a importância da valorização da matriz cultural africana.

“Quando queremos ter acesso a obras de pintores de referência, muitas vezes recorremos a coleccionadores individuais, o que se torna difícil”.
O pintor vê no projecto exemplo de determinação e superação de barreiras, como as que ultrapassou ao longo de mais de uma década para se afirmar na carreira artística.

A inspiração

O pintor Paulo Jazz está entre as principais referências e fonte de inspiração para Mampuya. Com trabalhos pouco conhecidos e divulgados, Paulo Jazz tem um conjunto de 147 obras, concebidas há mais de duas décadas, algumas já expostas e outras inéditas. “Ele é dos melhores para mim. Quero realizar uma grande exposição no espaço, depois de concluída as obras, como forma de o homenagear, pelo seu percurso artístico e pelo contributo que tem dado às artes plásticas”, anunciou.

Guilherme Mampuya tem trabalhado com vários jovens na descoberta de talentos, transmitindo-lhes novas técnicas de criação artística e corrigindo as debilidades. Em carteira, disse, tem previsões do lançamento do artista plástico Adilson, jovem formado no seu atelier, com uma exposição marcada para o mês de Junho.

“Arco-Íris”

Em Fevereiro deste ano, Guilherme Mampuya realizou a mais recente exposição de pintura e instalação denominada “Arco-Íris”, no Camões - Centro Cultural Português, em Luanda. A mostra procura reflectir algumas das metamorfoses que têm ocorrido, nos últimos anos, quer na vida pessoal, quer na artística, do autor.

O artista explicou que, ao longo dos anos, tem ultrapassado várias barreiras e alguma discriminação. Essa exposição, justificou na altura, representou a mistura de sentimentos, oportunidades perdidas e vencidas, tristezas e alegrias, caracterizadas nos quadros em tons de cores frias e quentes. A intenção foi produzir um trabalho que espelhasse, também, a necessidade de se incutir nos cidadãos africanos o espírito do afro-centrismo, na busca da constante autodeterminação no pensamento filosófico e cultural.

O pintor

Guilherme Mampuya Wola nasceu na província do Uíge, em 1974. Em 2000, concluiu a formação superior em Direito, pela Universidade de Kinshasa, na República Democrática do Congo (RDC). Dois anos depois, ingressa no curso de Pintura Básica e mais tarde aperfeiçoa a técnica do retrato no atelier de pintura Honesto Nkunu, em Luanda.

Em 2005, o artista entrou para a União dos Artistas Plásticos (UNAP). Actualmente expõe, com frequência, individual e colectivamente. Ao longo da carreira realizou exposições para o Ensarte e a Trienal de Artes de Luanda. Além de diversas exposições individuais no país, já expôs na Galeria Bernardo Marques, em Lisboa, e em Bruxelas, na Galeria Lumieres d’Afrique.

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