Cultura

Guitarrista Marito Arcanjo homenageado no “Muzongué”

O guitarrista Mário Arcanjo “Marito”, integrante do agrupamento “Os Kiezos”, é a figura escolhida para ser homenageada, domingo, no programa “Muzongué da Tradição”, a ter lugar no Centro Cultural e Recreativo Kilamba, em Luanda.

Aniversário natalício do solista é um dos motivos para a realização da homenagem
Fotografia: Lino Guimarães | Angop


Para animar a “farra”, Lulas da Paixão vai ser acompanhado  pelos Kimbambas do Ritmo e Tony do Fumo Filho, pelos Kiezos.
Estêvão Costa, responsável do Centro Kilamba, informou que o evento é especial por coincidir com o 70º aniversário do guitarrista, um dos ícones da música popular angolana. Adiantou que a homenagem visa reconhecer e enaltecer o contributo de Marito para a divulgação, preservação e valorização da música popular angolana, dando igualmente a oportunidade de os frequentadores do espaço conviverem com um dos melhores viola solo e fundador de Os Kiezos.
O responsável afirmou que o programa ganha mais notoriedade por coincidir com o aniversário do guitarrista, uma das razões da homenagem.
Marito notabilizou-se nos Kiezos entre as décadas de 60 e 70, ao lado de Avozinho, Kituxi e Juventino, apadrinhados por Pedro Bonzela Franco. Gravou 14 singles, teve duas participações nos “Long Plays” (LP) “Rebita 74 e 75”. Participou na gravação dos sucessos “Milhorró”, “Quem Não Faz Filho”, “Princesa Rita”, “Rumba 70”, “Muxima” e “Semba Popular”.
Marito é considerado um dos mais talentosos guitarristas angolanos dos anos 70 e 80, na mesma época em que pontificava ainda o seu rival Zé Keno, do agrupamento Os Jovens do Prenda.

Os Kiezos
Formado na década de 60, por jovens oriundos de famílias humildes, o conjunto animava, inicialmente, festas de bairro, onde se notabilizou, granjeando  reconhecimento nacional.
Motivado por uma grande paixão pelos ritmos nacionais, a sua música sofreu, muitas vezes, influências de estilos musicais de artistas congoleses e latino-americanos, entre outros.
O grupo absorveu igualmente linhas melódicas de agrupamentos nacionais como os Negoleiros do Ritmo, Muzangola e Os Gingas. Apesar dessas influências, a banda não perdeu a sua originalidade em termos de rítmicas, que a tornaram num dos maiores executantes da música popular urbana de Angola.
Ao longo do seu percurso, Os Kiezos foram autores das músicas “Milhorró”, ”Comboio”, “Princesa Rita”, “Zá Boba”, “Monami”, “Jingololo” e “Tristezas Não Pagam Dívidas”, temas que marcaram a vida dos angolanos nas décadas de 1970 e 1980. O grupo teve como expoentes máximos o percussionista António Miguel da Silva “Kituxi”, o vocalista Adolfo Coelho e o guitarrista Mário Anselmo de Sousa Arcanjo “Marito”.

“Kimbambas do Ritmo”
Criado no início da década de 60, Os Kimbambas do Ritmo, sob a liderança de José Eduardo dos Santos, tiveram um período de existência curto devido ao facto de os integrantes, igualmente activistas políticos e grandes mobilizadores sociais, terem sido obrigados a juntar-se à luta de libertação.
Surgido a partir do Ginásio Futebol Club, no município do Sambizanga, era integrado por jovens, na altura, como José Eduardo dos Santos, Mário Santiago, Pedro de Castro Van-Dúnem “Loy”, Bia Santiago, Faísca e Bwanga, entre outros.
Os Kimbambas do Ritmo cantavam uma música tradicional angolana da região de Luanda e as suas letras transmitiam uma mensagem que de igual modo evocavam o momento político caracterizado pelo despertar das consciências, fundamentalmente no seio da juventude. 

“Muzongué da Tradição”

O programa que teve início em Fevereiro de 2007 visa a promoção, divulgação e valorização da música angolana produzida nos anos 60, 70 e 80. O agrupamento Jovens do Prenda e os artistas Zecax, Dom Caetano e Proletário foram os primeiros convidados. O programa acontece  no primeiro domingo de cada mês.

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