Cultura

Guitarrista Zé Keno imortalizado no Kilamba

Manuel Albano |

O Centro Cultural e Recreativo Kilamba tornou-se ao longo de quatro décadas, indiscutivelmente, o principal e o tradicional bastião, quando o assunto é prestar tributo à “geração de ouro”, que deu o seu contributo para o desenvolvimento da música urbana angolana.

Integrantes do agrupamento Os Jovens do Prenda e colegas rendem homenagem a uma das maiores figuras da música angolana
Fotografia: Kindala Manuel | Edições Novembro

Três gerações de cantores e instrumentistas dos Jovens do Prenda garantiram, no domingo, uma tarde bem passada para quem se predispôs assistir a homenagem dedicada ao músico José João Manuel “Zé Keno”.
Figura emblemática daquele que é um dos melhores agrupamentos da capital da década de 70, teve dos colegas uma singela, mas significativa homenagem, quando revistaram parte do seu repertório dentro e fora dos Jovens do Prenda.
Na homenagem, estiveram familiares de Zé Keno, como Ilidina Soyto (filha), Teresa Pereira José (tia) e Paulo Quitumbo (genro).
De acordo com o responsável do Centro Recreativo Kilamba, Estêvão Costa, a homenagem visou reconhecer o contributo do guitarrista na afirmação e valorização da música popular angolana, ao longo da sua carreira artística.
Desde o guitarrista Baião Imperial, da segunda geração dos Jovens do Prenda, que participou na homenagem, ao cantor Didi da Mãe Preta, exímio executante de dikanza, cujos feitos para a promoção da música popular angolana tem sido reconhecido pelos apreciadores do seu trabalho, que deram um verdadeiro recital de bem cantar e tocar.
Durante a toda a tarde e com uma assistência composta por várias gerações, o conjunto e os cantores convidados vestiram os “fato-macacos” e deram o melhor de si, para garantir uma homenagem à altura da figura do guitarrista Zé Keno.
Depois da apresentação da biografia do homenageado, Don Caetano anunciou a abertura da actividade. Foram mais de 35 canções que marcaram a geração das décadas de 70 e 80, do século passado, que foram interpretadas pelos ‘gloriosos’ e a nova geração dos Jovens do Prenda. Do guião artístico, surgiram as músicas “Ilha virgem”, interpretada por Baião e “Manuela”, “O pôr do sol” e “Macêo” pelo solista Zé Mueleputo. À tarde, Didi da Mãe Preta interpretou “Carta para um amigo”, seguindo-se “Lamento de Gabi”, interpretado por Mizinga e Miau.
Antigas estrelas e figuras emblemáticas do futebol nacional, como Vieira Dias e Ndunguidi Daniel, também prestigiaram a festa, mostrando ser bons bailarinos, rasgando o salão num pé de dança.
Na segunda parte, depois de uma pausa para o descanso dos integrantes dos Jovens do Prenda, o espectáculo recomeçou com Baião, ao interpretar “Manhã de domingo”.
À semelhança do que aconteceu com a actuação dos “Jovitos”, em Talatona, enquadrada no projecto “Show do Mês”, o agrupamento contou uma vez mais com a colaboração de instrumentistas cubanos, dando mais qualidade ao grupo, com Lázaro Hiño (trombonista), Raidel Soarez (trompetista) e Lisbeth Ramirez (flautista e saxofonista), mergulhando no espírito da farra dos “muzonguistas”.
Em paralelo, houve uma campanha de solidariedade de âmbito nacional, para com o homenageado, que atravessa um período crítico, caracterizado por um quadro clínico que requer cuidados médicos intensivos e continuados. A instituição apelou à sociedade civil, pessoas colectivas e singulares, a juntarem-se à campanha de solidariedade, cujos fundos vão servir para custear o tratamento.
 
Preocupação familiar

Presente no acto,  Julinho Vicente agradeceu o gesto e lembrou que o instrumentista Zé Keno é uma das maiores referências da música angolana e que precisa do apoio de toda a sociedade para tratamento no exterior.
Dom Caetano aproveitou o momento para enaltecer os feitos do percussionista Julinho Vicente, que fez parte dos Jovens do Prenda nas décadas de 80 e 90, que, por motivos de doença, está impedido de tocar.
Preocupada com o estado de saúde do seu irmão, Maria da Conceição, disse ao Jornal de Angola, que o guitarrista teve, pela segunda vez, um derrame cerebral, em Janeiro.

Bessangana

Vestido como sempre, a rigor, o grupo de senhoras “Bessangana”, da Ilha de Luanda, prestigiou a festa do “Muzongué”. O grupo, com mais de uma década de existência, é resultado da persistência do gestor do Centro Recreativo e Cultural Kilamba, Estêvão Costa, que decidiu formar o grupo de bailarinas logo após a reabertura deste espaço, em Dezembro de 2001.
Segundo Estêvão Costa, o gesto ajuda a preservar os bons hábitos e costumes dos luandenses.
 Composto por 14 integrantes,  as dançarinas vestem panos, traje típico da mulher luandense e têm sido o rosto ‘visível’ nos espectáculos musicais que decorrem mensalmente no Centro  Recreativo e Cultural Kilamba.

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