Gumbe inspirado volta à exposição

Roque Silva |
13 de Abril, 2016

Fotografia: João Gomes

Jorge Gumbe regressa às exposições individuais, 11 anos depois, com a inauguração da mostra “Ressonância e Inspiração”, amanhã, às 18h30, no Instituto Camões-Centro Cultural Português, em Luanda.

O artista apresenta 35 gravuras inéditas, seleccionadas de um conjunto de vários trabalhos criados entre 1982 e 2015, com as quais pretende mostrar a sua trajectória em diferentes temas e abordagens.
Jorge Gumbe disse, ontem, ao Jornal de Angola que a exposição é um diário, no qual pretende revelar aspectos para os quais os seus trabalhos foram desenvolvidos durante os mais de 30 anos de carreira.
As obras, criadas com base nas técnicas de linólio, madeira, litografia e serigrafia, revisitam temas com um olhar contemporâneo recorrentes ao conjunta da obra do pintor, ligados às tradição e cultura angolana, os mitos, os sonhos e as estórias da tradição oral.
Jorge Gumbe afirmou que a “Ressonância e Inspiração”, que vai estar patente no Centro Cultural Português até o dia 6 de Maio, não é um trabalho retrospectivo “por serem resultado de pesquisas desenvolvidas num período de tempo antes de atingir o resultado final”.
O artista escolheu a gravura, dentre outras razões, pelo baixo custo de produção, para enfatizar os benefícios da experiência, enquanto elemento de pesquisa formal, alternando-a com a cerâmica e com a pintura.
Com a experimentação de “técnicas propícias à revelação do traço e da linha, como elementos definidores da organização do objecto plástico, é possível aumentar o espaço, revelar superfícies, ressaltar as texturas e os jogos rítmicos dos contrastes perceptivos de figura e fundo”, disse o artista plástico.
Jorge Gumbe chama a atenção para o papel relevante da gravura, utilizada pelos artistas  africanos, como meio de expressão privilegiado da identidade pós-colonial e para as problemáticas sociais que dominam as sociedades.
O artista disse que explora a forma, o espaço, a textura e o movimento, como elementos que constituem a sintaxe da linguagem visual, as expressões e os sentimentos gerados pela máscara, pelo rosto, pela árvore embondeiro um símbolo cultural e de memória colectiva - visando a busca de sinfonias formais e cromáticas, a partir de um tema.
Desta pesquisa formal, realça o pintor, são geradas, com intensidade, outras formas, ecoando e engendrando reflexões que se repercutiram em diferentes dimensões plásticas, transcorridas por várias fases de acordo com as dinâmicas da vida e do meio social de que o artista faz parte.
Em Angola, sem prejuízo de muita pesquisa ainda por fazer, o artista relembra o grande impulso desta expressão artística, no período que se seguiu à independência, que culminou com a criação da Oficina Experimental de Gravura da União dos Artistas Plásticos (UNAP), em 1978, coordenada por conceituados artistas plástico como Viteix e os cubanos Nelson Domingues e Eduardo Roca (Choco).
A Oficina Experimental criou as bases para o desenvolvimento da gravura em linóleo e xilogravura, promovendo o surgimento de novos artistas/gravadores, como o próprio Jorge Gumbe, João Inglês, Álvaro Cardoso, Custódio Silva, Van,  Fernando Mesquita e, mais tarde, Kidá.
Jorge Gumbe terminou recentemente um doutoramento em Arte, Educação e Património pela Universidade de Roehampton, em Londres. A sua última exposição individual em Luanda, “Mitos e Sonhos”, realizada no Museu Nacional de História Natural, data de 2005, mas participou nas colectivas “20 anos de arte” (2013), no Camões, e “Rostos da Paz” (2016), na Academia BAI, em Luanda.

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