Hábitos do Cunene devem ser estudados

Roque Silva |
10 de Julho, 2014

Fotografia: Paulo Mulaza

O governador do Cunene, António Didalelwa, exortou na terça-feira, em Luanda, os estudiosos nacionais da cultura a realizarem pesquisas sobre os hábitos, costumes e manifestações culturais das populações da província do Sul do país.

O repto foi lançado no Centro de imprensa Aníbal de Melo, durante a inauguração da exposição fotográfica "Cunene, por um futuro melhor, rumo ao desenvolvimento sustentável", alusivo ao 44º aniversário daquela província que se assinala hoje.
António Didalelwa desafiou os investigadores a recolherem dados eloquentes sobre o património material e imaterial local nas mais recônditas localidades da província, onde habitam os diversificados povos, grupos e etnias, para posteriormente os publicarem em livro.
Na perspectiva do governador, as pesquisas sobre a província, com uma extensão territorial de 87.342 quilómetros quadrados e a 1.424 quilómetros de Luanda, são um valor acrescentado para a cultura, por valorizarem, divulgarem e promoverem a tradição dos povos africanos.
O Cunene, disse, tem uma cultura rica e variada, assim como é habitada por povos com diferentes rituais que vivem em harmonia, são exímios dançarinos, intérpretes de cânticos ritmados e fazem excelentes trabalhos de artesanato.
“Vamos trabalhar para valorizar a cultura angolana e reforçar a nossa identidade. Isso só é possível se houver estudos sobre as nossas manifestações culturais, as línguas e o modo de vida", salientou.
Para o desenvolvimento da província do Cunene, destacou, entre outros projectos, o Alojamento e Apoio à Minoria, em execução deste 2003 e que se estende até 2017. A iniciativa inclui a integração dos vátuas e dos camussequeles, num processo que envolve o alojamento das populações numa nova área habitacional com estruturas à sua escolha e aulas sobre cultura de outros povos. O projecto envolveu técnicos do Ministério da Cultura, antropólogos, engenheiros e arquitectos.
A província comemora no dia 15 de Agosto de 2015 o Centenário da Batalha de Môngua.

Viagem ao Cunene


A exposição fotográfica inaugurada na terça-feira é uma proposta para se viajar até ao Cunene, sem que seja necessário deslocações. A mostra inclui 157 fotografias que retratam a cultura local, com destaque para o túmulo e um velho ditado do Rei Mandume cravado num pedaço de madeira.
“Se os ingleses me procuram, eu estou aqui, eles podem vir e montar-me um ardil. Não farei o primeiro disparo, mas eu não sou um cabrito nas mulolas, sou um homem... e lutarei até gastar a minha última bala. O meu coração diz-me que não fiz nada de errado", diz o quadro.
As imagens mostram ainda as acções do Governo Provincial voltadas para o crescimento dos municípios que compõem a província, designadamente Cuanhama, Curoca, Cuvelai, Cahama, Namacunde e Ombadja, nas áreas da saúde, educação, habitação, indústria, juventude e desportos, energia e águas, agricultura, ambiente, comércio e hotelaria e turismo. Estiveram presentes a Ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, o governador de Luanda, Bento Bento, membros do Executivo e naturais e amigos do Cunene.

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