Henrique Artes condiciona regresso

Roque Silva
23 de Fevereiro, 2016

O grupo de teatro Henrique Artes  condiciona o regresso aos palcos após a aquisição de um espaço para a realização de ensaios e apresentação de peças, regularmente, disse, ontem, ao Jornal de Angola, o director artístico e encenador Flávio Ferrão.

O grupo afastou-se dos palcos há nove meses, alegando a falta de apoios para projectar as suas obras no exterior, uma das razões que, segundo o encenador, desmotivou bastante os actores, após a conquista do Prémio Nacional de Cultura e Artes, em 2013.
Ausências em festivais e concursos internacionais, com destaque para a primeira Mostra Internacional de Teatro em Lisboa, na qual devia exibir a peça “Hotel Komarka”, também foi uma das causas da desmotivação, por que o grupo não obteve apoios para viajar.
Para atenuar a situação, Flávio Ferrão defende a criação de um plano de auto-sustento.
O facto de ter granjeado em 2013 o Prémio Nacional de Cultura e Artes, na categoria de Teatro, “confere-nos maior responsabilidade, e que deve nos inspirar para ultrapassarmos barreiras”.
A direcção do grupo solicitou apoios em instituições públicas, e que neste momento aguardam pelas reacções. Informou que um dos pedidos resultou na promessa de o grupo vir a assumir a gestão de um auditório na capital do país, mas “após vários meses nada está confirmado”.
Apontou que as escolas do II Ciclo do Ensino Primário e Secundário do Ensino Geral, que dispõem de espaços subaproveitados ou abandonados podem servir para a realização dos ensaios e apresentação de peças.
A desmotivação permanente devido as dificuldades apontadas tem obrigado com que o grupo rejeite os constantes convites para exibir “Hotel Komarka”, em Luanda. Por outro lado, tem sido motivo para que os actores abracem outros projectos, tal como quatro deles que aceitaram interpretar alguns papeis na peça “O Rei Leão”, pelo colectivo Pitabel.
Flávio Ferrão disse que também tem trabalhado com actores de outros grupos, e que já encenou as peças “As Vedetas” e “O ex-namorado tem que morrer”. O primeiro com as actrizes Edusa Chindecasse, do Horizonte Njinga Mbande, e Vanda Pedro, actriz independente.
Na segunda peça participaram Edusa Chindecasse, Jaime Joaquim, do grupo Ekuikui, e Naede Branco e Mendes Lacerda, ambos do Henrique Artes. O Henrique Artes foi fundado a 26 de Outubro de 2000, por estudantes do ensino Pré-universitário. “Hotel Komarka” é o cartão postal do grupo, que já passou em mais de dez províncias e na 20.ª edição do Festival de Teatro de Mindelo (MINDELACT), em Cabo Verde.
“A Órfã do Rei”, outro espectáculo de destaque do grupo, foi apresentado no Festival Lusófono de Teresina, no Brasil.
O grupo conquistou dois prémios Cidade de Luanda, com as obras “Meu Enigma”, em 2004, e “Côncavo e Convexo”, em 2008, assim como obteve, em 2005, o segundo lugar na categoria de encenação e o de melhor actriz, atribuído a Matilde Kabango.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA