Cultura

Herança secular do Sul divulgada em catálogo

Arão Martins | Lubango

A herança secular dos povos nyaneka, herero, oshiwambo e nganguela, baseada na cultura material e imaterial desses grupos etnolinguísticos das províncias da Huíla, Namibe, Cunene e Cuando Cubango, está retratada em catálogo, lançado na cidade do Lubango.

Museu Regional lançou um catálogo do acervo cultural dos povos da região Sul
Fotografia: Arão Martins | Edições Novembro | Lubango

O catálogo, que começou a ser elaborado em 2011, foi lançado no Dia Internacional dos Museus, 18 de Maio,  uma edição do Museu Regional da Huíla, que comporta 204 páginas.
A directora, Suraya Ferreira Santos, explicou que a elaboração do catálogo serviu para acompanhar uma exposição permanente do Museu Regional da Huíla, intitulada “A herança secular dos povos do sul de Angola”.
Produzido com apoio do Banco Económico, numa primeira fase imprimiu-se mil exemplares. Suraya Ferreira referiu que a mostra reflecte a diversidade cultural da região, destacando hábitos, costumes, crenças e tradições.
Adiantou que todas as colecções do museu já foram inventariadas, e estão catalogadas fotografias dos anos 1930 e 1940, que retratam diferentes fases do crescimento e evolução da cidade do Lubango.
Ainda sobre o acervo, a directora informou existirem mil e 562 peças etnográficas de origem regional, uma colecção de mais de 100 selos, cinco mil livros e duas mil fotografias, todo esse espólio consta no catálogo permitindo divulgar a riqueza das populações do sul do país.
De acordo  com Suraya Ferreira, a brochura constitui uma ferramenta importante para divulgar também as actividades do Museu Regional, que recebe visitas de pessoas de vários países,  que têm acesso ao catálogo, também distribuído às instituições dos ensinos superior e geral.
O Museu Regional da Huíla existe desde 1956 e dispõe de uma diversidade de peças que retratam a história dos habitantes do sul e não só. Dispõe de oito salas temáticas, subdivididas em diversas áreas descrevendo a historia, a prática da caça, agricultura, cestaria e pesca, poder espiritual, fabrico de instrumentos musicais, peças de olaria e objectos de adorno.
Entre as peças mais representativas destacam-se a boneca tradicional de fibras, cabelos ornamentados com missangas, e tem sido usada por meninas, ou por mãe de gémeos que tenham perdido um deles, como forma de representar o bebé falecido; a camisa feita em fibras vegetais, saia de pele, “omuhoti”, usada por mulheres adultas do grupo etnolinguístico “nyaneka”, os calções feitos em fibras vegetais, a saia “omundondi”, usada por raparigas em idade infantil.
O almofariz é, também, uma peça do museu, e serve para a transformação de cereais em farinha, nas comunidades nyaneka, oshiwambo e nganguela e ainda a peça de armadilha para peixe, na pesca fluvial.
O machado usado na agricultura, a canoa usada na pesca fluvial, a panela de barro usada na confecção de alimentos, a travessa de barro com duas pegas usada para servir refeições, fazem parte da lista de objectos em exposição permanente do museu.
A caneca em cabaça usada para o consumo de bebidas tradicionais, cabaças para bebidas fermentadas, concha em cabaça para servir as bebidas são outras peças utilitárias do Museu Regional da Huíla.
A directora considerou o catálogo resultado de um trabalho de equipa que envolveu vários técnicos, entre fotógrafos, designer, investigadores, historiadores, e apresenta uma linguagem científica.
Por sua vez, a representante do Banco Económico, Andreia dos Santos, disse que a instituição bancária considera importante preservar a cultura pensando no futuro, “daí  termos abraçado o projecto da criação do catálogo que visa garantir que gerações futuras tenham contactos com a cultura para valorizá-la mais”.

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