Cultura

História da África do Sul analisada em Luanda

Edvaldo Lemos

“O património da resistência de libertação da África do Sul em Angola” foi o tema de um colóquio, realizado, sábado, no auditório do Museu Nacional de História Natural, em Luanda, no âmbito da semana cultural sul africana em Angola.

Historiador João Lourenço (primeiro à esquerda) foi um dos oradores
Fotografia: Mota Ambrósio | Edições Novembro

O tema, que teve como orador o historiador João Pedro Lourenço, destacou a importância de se valorizar e preservar mais o legado deixado pelos combatentes da liberdade sul africana.
“Agora, é preciso que as entidades angolanas criem o projecto da construção do Museu da História da Luta de Libertação Nacional, para a nova geração ter uma noção ampla dos sacrifícios feitos”, disse.
O historiador lembrou que existem em Angola 12 campos de preparação militar sul africanos, cujo valor deveria ser melhor aproveitado, de forma a ser uma marca na memória dos combatentes sul africanos e angolanos das lutas de Libertação nacional. “O país também precisa registar outros lugares comuns destes confrontos”, destacou, acrescentando que locais como o Largo 1º de Maio deveriam constar já destes registos.
O professor de história na Universidade de Pretória, Mxolisi Ndlovu, foi o outro orador convidado ao colóquio e aproveitou para destacar a importância da batalha do Cuito Cuanavale, um ganho da humanidade e um dos piores conflitos em África, depois da II Guerra Mundial.
“A África do Sul não conseguiu derrotar os angolanos, teve de recuar e deixar o país. O espantoso é o facto de Angola ainda assim ajudar os sul-africanos a combaterem o Apartheid”, disse.
Mxolisi Ndlovu contrariou, ainda, alguns defensores, que pensam que só os angolanos é que usaram armamento importado. “A África do Sul também o fez. O armamento veio da França”, revelou, além de considerar a visão de Oliver Tambo sobre a batalha do Cuito Cuanavale como a mais fácil e sincera já publicada.
O colóquio está inserido na Semana Cultural Sul-africana, comemorativa do Dia da Liberdade da terra de Nelson Mandela, que decorre, na capital angolana, até sábado, pela celebração dos 25 anos do Dia da Liberdade daquela nação africana.
O programa da Semana Cultural Sul-africana, em Luanda, prevê uma homenagem a Nelson Mandela, com uma pintura com o título “Seja o Legado”, num mural na Avenida 21 de Janeiro, por um artista angolano e outro sul-africano, além de exposições de artes plásticas, exibição de filmes, dança, gastronomia e outros eventos culturais, com o envolvimento de mais de dezenas de artistas dos dois países.

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