História da "mãe" do ADN no teatro


27 de Abril, 2015

Fotografia: REUTERS

A actriz Nicole Kidman anunciou ontem, 17 anos após a estreia no West End, o regresso em Setembro ao teatro em Londres no papel da cientista britânica Rosalind Franklin, em “Photograph 51”.

Nicole Kidman, actriz distinguida com o Óscar, estreou-se nos palcos britânicos em 1998, em Londres, com “The Blue Room”, de autoria de David Hare, no Donmar Warehouse, com uma interpretação bem acolhida pela crítica que a considerou como “puro extase”.
Devido a este esse papel, foi nomeada para o Olivier Award, a principal distinção atribuída ao teatro em Londres.
O dramaturgo britânico Michael Grandage é o responsável pela encenação de “Photograh 51”. Os dois estão a trabalhar actualmente no filme “Genius”, que conta a história de Max Perkins, que trabalhou com lendas da literatura mundial, como os escritores F. Scott Fitzgerald e Ernest Hemingway.
No filme a actriz, que é a protagonista, dá vida a Aline Bernstein, figurinista dos anos 1920, completamente apaixonada pelo escritor Thomas Wolfe.
A actriz disse ao jornal “The Guardian” que tenciona que “já há algum tempo” que tenciona regressar ao teatro.
A peça marca o regresso da companhia de teatro de Grandage ao West End após uma temporada de produções de sucesso em 2013/2014, entre as quais “Henrique V”, com o actor britânico Jude Law.
“Photograph 51” está em cena de 14 de Setembro a 21 de Novembro. A actriz, que começou a carreira em 1983, participou em várias produções de cinema e televisão na Austrália até dar nas vistas em 1989 em “Calma de Morte”. Na sequência de vários filmes no início de 1990 foireconhecida mundialmente pelas interpretações em “Dia de Tempestade” (1990), “Horizonte Longínquo” (1992) e “Batman Para Sempre” (1995).
A sua performance no musical “Moulin Rouge” (2001) fez com que ganhasse o segundo Globo de Ouro e a primeira nomeação para o Óscar de melhor actriz. O desempenho como Virginia Woolf no drama “As Horas” (2002) foi aclamado pela crítica. Nicole Kidman recebeu em 2003 o Óscar de melhor actriz. Desde 1945 é embaixadora da Boa Vontade da UNICEF e do UNIFEM. Em 2006, foi distinguida com a Ordem da Austrália. Também foi actriz mais bem paga na indústria do cinema. É actualmente a fundadora e dona da produtora Blossom Films.

Cientista injustiçada

Rosalind Franklin, considerada a investigadora mais injustiçada na ciência moderna, foi a primeira pessoa a fotografar a molécula de ADN com recurso a uma técnica de difracção de raios X.
Artigos escritos por si, não publicados na altura, mostram que já tinha determinado alguns aspectos da estrutura da molécula antes de outros cientistas. Francis Crick e James Watson, pesquisadores da universidade de Cambridge, tiveram acesso a imagens feitas por Rosalind e desenvolveram o seu trabalho com base nisso. Em 1953, publicaram, na revista “Nature”, o célebre estudo onde revelam a descoberta do ADN. O texto fazia escassas referências ao trabalho de Rosalind Franklin.
A biofísica também publicou posteriormente na mesma revista artigo sobre o assunto, mas já era tarde, porque Francis Crick e James Watson entraram para a história como os “pais” do ADN e dividiram o prémio Nobel de 1962 com Maurice Wilkins pela descoberta. Cartas reveladas recentemente mosrram o desprezo que os colegas sentiam por ela.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA