Cultura

História de reconciliação conquista principal troféu

Roque Silva

A peça “Entre o presente e a presença”, um retrato emocionante de reconciliação, após desentendimentos precedidos de insultos, ofensas morais e agressões físicas, do grupo Efetikilo, venceu a categoria de Melhor Espectáculo, do VI do Festival de Teatro do Bié, em homenagem aos Mártires da Resistência do Cuito, que encerrou quarta-feira, no Cine Sporting.

Espectáculo do grupo Efetikilo considerado o melhor do festival
Fotografia: Edições Novembro

O drama, do colectivo da província do Huambo, é sobre um casal romântico e exemplar para a vizinhança, que se desentende no Dia de São Valentim. A esposa decide separar-se e recusa-se a receber o habitual presente, por considerar barato, pois aguardava pela chave de um apartamento ou de uma viatura. O esposo, um professor humilde e devoto crente, salva a relação após conseguir convencer a mulher a seguir a palavra de Deus.
O júri considerou a peça, escrita por Alexandre Canguenha e montada com Ana Mário, como exemplar pela forma inteligente como abordou um tema e problema com que a sociedade angolana se debate actualmente e que carece de reflexão.
O espectáculo, disse ao Jornal de Angola Osvaldo Moreira, um dos membros do júri, reuniu aspectos de encenação devidamente enquadrados entre a realidade e a ficção e com um argumento merecedor de reconhecimento.
O júri, que integrou os dramaturgos, encenadores e directores artísticos Walter Cristóvão, do grupo Miragens, como presidente, e Agostinho Kassoma, do colectivo Nguizane Tuxicane, elegeu as peças “Cá se faz, cá se paga”, do Omalã Vetu Veya (do Bié), com a Melhor História, e “Laura”, do Núcleo de Artes Estrelas (do Cuando Cubango), com a Melhor Encenação. “Cá retrata a história de uma senhora que põe fim ao relacionamento com a vizinhança, sob alegação que só tem a ganhar.
Já o espectáculo “Laura” narra a violação que é vítima uma menina de 14 anos pelo próprio pai, e discorre sobre aspectos ligados ao alcoolismo, prostituição, racismo e xenofobia.
A aposta que o grupo Tweya, de Benguela, prestou nos últimos anos a formação dos seus actores foi premiada com distinção dos troféus de Melhor Actriz e Actor a Augusta Crispino Inglês e António Manuel Praia. A forma descontraída e emocionante como Débora Nassoma, do Núcleo de Artes Estrelas ao Palco, do Cuando Cubango, interpretou a personagem principal em “A parada da minha vida”, lhe valeu o prémio de Actriz Revelação.
O festival denominado “Fest Teatro-Olombangue”, enquadrado nas celebrações de mais um aniversário da província do Bié, teve início no dia 28 de Junho e terminou com uma actuação do humorista Gilmário Vemba.

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