História de sofrimento levada ao cinema


1 de Janeiro, 2015

Nos últimos quatro anos, Angelina Jolie emprestou a sua voz para a animação de “Kung Fu Panda” e foi a estrela de “Maléfica”, mas a actriz também tem dado bastante atenção à sua carreira como realizadora, com o seu segundo filme, “Invencível”, a estrear-se brevemente, e o próximo, “By the Sea”, já em fase de pós-produção.

Trabalhos que Angelina alternou com a sua acção humanitária, enquanto pensa na possibilidade de se envolver na política num ano no qual, além disso, se casou com Brad Pitt, com quem tem seis filhos - três biológicos e três adoptivos.
Uma vida mais do que cansativa para uma das actrizes mais admiradas e desejadas, mas que não tem nenhuma intenção de diminuir o seu ritmo de trabalho nem sequer quando se envolve numa produção tão complicada como a de “Invencível”.
Neste filme, Angelina conta a história real de Louie Zamperini, um delinquente juvenil que se regenerou como atleta olímpico nos Jogos de Berlim 1936 e foi herói da Segunda Guerra Mundial. Durante o conflito, Zamperini passou 47 dias num barco no meio do oceano e foi prisioneiro de dois campos de concentração japoneses, onde viveu num regime de quase escravidão, história contada na biografia do veterano pela escritora Laura Hillenbrand e que agora chega ao cinema.
Publicado em 2010, o livro tornou-se rapidamente best-seller, permanecendo 185 semanas (15 delas no primeiro posto) na lista do “The New York Times” de livros mais vendidos, com mais de quatro milhões de exemplares só nos Estados Unidos.
Uma história que fascinou Angelina Jolie. “Há muita dor neste mundo e acho que precisamos de relatos como a história de um homem que encontrou o caminho na mais profunda escuridão, acabando por emergir à luz, relatos que nos possam ajudar, inspirar, mostrar-nos algo notável e nos fazer ver a vida de forma positiva”, conta a cineasta nas notas de produção.
Os irmãos Joel e Ethan Coen ajudaram com o guião e Alexandre Desplat foi o responsável pela banda sonora do filme, que além disso contou com a colaboração da banda Coldplay. Uma equipa de 150 pessoas mudou-se praticamente para o alto-mar do litoral de Queensland, na Austrália, para rodar as cenas em que Zamperini e outros dois companheiros sobreviveram num barco durante 47 dias. Jack O'Connell (Louie Zamperini), Domhnall Gleeson (Russell Allen Phillips) e Finn Wittrock (Francis McNamara) interpretam os três militares que sobreviveram a um acidente de avião, embora o terceiro tenha morrido antes dos seus dois companheiros serem resgatados pelas forças japonesas.
Um terço do filme desenvolve-se no pequeno espaço do barco, perdido na imensidão do oceano e rodeado constantemente por tubarões, com cenas muito bem elaboradas do ponto de vista técnico, mas que não transmitem o extremo dramatismo pelo qual se supõe que os três soldados viveram em muitos dos momentos que passaram no mar.
Outra grande parte do filme desenvolve-se nos campos de concentração japoneses, nos quais Zamperini esteve prisioneiro, às ordens de Mutsushiro Watanabe, um cruel soldado japonês interpretado sem muita convicção por Takamasa Ishihara.

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