História de vingança no palco do Festeca

Roque Silva
15 de Julho, 2016

Fotografia: Paulino Damião

Retrato de vingança, ódio, ganância e sofrimento abrangem grande parte das cenas da peça de teatro “O regressado”, da companhia Horizonte Njinga Mbande, a ser apresentada hoje, a partir das 18 horas, no Centro de Animação Artística (Anim’Art),

no âmbito do XI Festival Internacional de Teatro do Cazenga (Festeca), a encerrar neste domingo.
A peça, um drama de 1h10, gira em torno da vida de um jovem militar dado como morto em combate. Uma história marcada por conflitos, animação e humor.
De regresso à sua terra natal, alguns anos depois, Lacrau decide vingar-se de todos os que se apropriaram dos seus bens. Os seus irmãos apoderam-se da sua residência e do veículo automóvel, depois de confirmada a informação da sua morte por um colega de batalhão, Mateus. A esposa, herdeira do militar por direito, procura conforto noutro homem com o qual passa a viver em união de facto.
“O regressado” foi escrito e montado por Adelino Caracol como forma de lembrar às pessoas que o ódio e a vingança não são as melhores formas de resolver problemas.
A programação de hoje do Festeca abre, às 10h00, com oficinas de teatro e de intercâmbio, orientadas por Sidónio Massoxi, actor da companhia de artes Dadaísmo.
A agenda de amanhã tem programado, para às 8h00, o “Café Teatro”, uma actividade de intercâmbio entre os grupos que participam no festival,  e, às 10h00, a conferência sobre “Considerações sobre o ensino das artes no mundo”, a ser ministrada pela professora de música e actriz do grupo italiano Homeless, Katie Fagotti. A actriz italiana encerra as actividades de amanhã com o espectáculo “Piano sem tecto”, antecedido da apresentação da performance intitulada “A rua do teatro”, por artistas de vários grupos do Cazenga.
O grupo de teatro Julu encerra, domingo, às 16h00, o XI Festival Internacional de Teatro do Cazenga, com o espectáculo “A filha do bruxo.”

"Romeu e Juju"

“Romeu e Juju” é o título do espectáculo que o Horizonte Njinga Mbande apresenta hoje, amanhã e domingo, na sua sede, como resultado de uma adaptação do romance de William Shakespeare, que se tornou uma referência mundial.
O espectáculo, que é apresentado hoje, às 20h30, e amanhã e domingo, em duas sessões, uma às 19h45 e outra às 21h30, é uma chamada de atenção social para o comportamento dos jovens nas suas relações amorosas.
A história, baseada no romance “Romeu e Julieta”, foi adaptada de forma a estar mais enquadrada à realidade nacional. A peça, uma comédia, conta a história de Romeu, um jovem sonhador apaixonado por Juju, a moça mais linda e cobiçada do bairro. Para a conquistar ele está disposto a tentar de tudo, o único entrave são os interesses materiais da jovem.
O objectivo, explicou o actor e produtor Damião Kuvula, é analisar com o público o crescente interesse por bens materiais nos relacionamentos, que hoje é uma constante na actual sociedade moderna angolana.
Em “Romeu e Julieta”, explica o actor, o relacionamento é assente acima de tudo no amor platónico, “um sentimento completamente ignorado ou quase inexistente hoje.” Para o produtor, é preciso chamar regularmente atenção às pessoas para esse comportamento, em especial nesta fase de reconstrução, em que o amor deve prevalecer acima de tudo. “Os jovens são o principal alvo desta peça. Temos de moldar a nova geração para os perigos deste tipo de relacionamento”, disse.
Damião Kuvula adiantou ainda que o Horizonte Njinga Mbande pretende continuar com o seu papel de ajudar na educação da sociedade, através das artes cénicas.
“As relações amorosas têm sido uma das principais causas de problemas actualmente. É comum hoje ouvirmos histórias bizarras de assassinatos por problemas nos relacionamentos. É um quadro a ser invertido. O objectivo deste espectáculo é apontar os erros e apresentar soluções”, rematou.
A companhia de teatro, informou, estar a preparar também, para o final de Agosto, a estreia da comédia “Profissão famosa”, uma paródia para o súbito interesse do jovens para determinados ofícios, em especial os que permitem obter lucro fácil.
Além dos espectáculos, acrescentou, o colectivo continua a realizar cursos de formação especial para actores, operadores de câmara e apresentadores de televisão.

 

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