Cultura

História do país atrai alunos e pesquisadores

Manuel Albano |

Estudantes, maioritariamente da capital, têm estado a mostrar um maior interesse sobre as figuras históricas nacionais, como forma de conhecer melhor a história de Angola, disse, em Luanda, a bibliotecária e funcionária do Arquivo Nacional de Angola.

A história geral do país, os jornais periódicos, boletins oficiais, a divisão administrativa e a discrição dos reinos do Congo, Matamba e Angola têm sido os documentos mais procurados pelos estudantes e pesquisadores nacionais e estrangeiros, garantiu, ontem, ao Jornal de Angola, Paula Alexandre.
Embora reconheça que parte das consultas aos documentos do Arquivo Nacional de Angola seja feita por recomendações dos professores, já se tem registado um aumento de leitores com idades compreendidas entre os 25 e os 45 anos.
Normalmente, disse a bibliotecária, são os alunos dos cursos de História da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto (UAN), do Instituto Superior de Ciências da Educação de Luanda (ISCED) e do Instituto Superior de Serviço Social (ISSS) que procuram os serviços da instituição.
Quem também procura muitos os serviços da instituição para a pesquisa de temas específicos e gerais, explicou, são funcionários públicos, pesquisadores e historiadores, preferencialmente de nacionalidade angolana, brasileira e portuguesa. Diariamente, referiu, têm recebido em média 13 visitantes, que procuram obter mais informações sobre o tráfico de escravos, história geral das guerras angolanas e Reino do Bailundo. Quanto à exposição documental “Resistência à ocupação no sul de Angola, século XX”, uma mostra comemorativa do centenário da morte do soberano cuanhama Mandume-ya-Ndemufayo (1917-2017) , organizada pelo Arquivo Nacional de Angola, disse ter existido um interesse maior dos visitantes em conhecer mais sobre o soberano, razão pela qual ainda permanecem por mais algum tempo.
A exposição foi inaugurada em Fevereiro deste ano, pelo secretário de Estado da Cultura, João Constantino. Paula Alexandre explicou que, durante uma visita guiada, existe muita matéria documental sobre os soberanos em Angola, que precisam de ser do conhecimento público, particularmente dos estudantes.
A responsável sugeriu aos estudantes uma visita à exposição, por forma a aumentarem mais os conhecimentos sobre os feitos dessas figuras históricas e sobre a resistência contra a ocupação colonial dos antigos reinos de Angola. “Com essas iniciativas estamos a incentivar a pesquisa, por forma a motivar os estudantes a interessarem-se mais sobre a vida e obra dos nossos heróis.”
A exposição leva ao conhecimento do público e de estudiosos algumas peças do Arquivo Nacional de Angola e do “National Archives of Namíbia”, que permite uma análise dos últimos anos da vida do soberano, as suas acções de resistência pela via armada e diplomática. Outro assunto interessante sobre a mostra são as medidas tomadas pelo rei Mandume, na altura, sobre o modelo de gestão do seu território, as técnicas de guerra e as tomadas de medidas políticas e económicas.
Os documentos em posse do Arquivo Nacional de Angola reflectem as ideias das autoridades portuguesas e inglesas sobre os feitos de Mandume, considerados como actos de vandalismo. Parte desses arquivos está no formato de telegramas codificados, demonstrando a confidencialidade do tema em tratamento, tradução de um documento das autoridades alemãs e inglesa sobre a chamada “atrocidades”, do soberano e troca de correspondência entre as autoridades portuguesas e as alemãs. As escrituras fazem ainda referência à notícia sobre a morte de Mandume, publicada em jornais portugueses, às armas encontradas com o soberano após a sua morte e também a algumas fotografias de Mandume junto de uma delegação inglesa, tiradas em1915.
Segundo alguns documentos expostos, o rei Mandume foi um hábil diplomata, político e líder que soube resistir à ocupação colonial nos seus territórios, congregando forças de vários povos para esse efeito, que usou todas as armas ao seu alcance. Os documentos realçam que os seus inimigos reconheciam a sua bravura e estratégia, tecendo-lhe elogios, como o do general Pereira de Eça que chefiava as forças portuguesas na batalha do Môngua.

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