Historiador destaca exemplos de artistas

Roque Silva |
10 de Setembro, 2014

Fotografia: Eduardo Pedro

O papel da cultura, em especial as artes, na independência dos angolanos e afirmação da identidade nacional foram enaltecidos, em Luanda, pelo historiador Patrício Batsikama, que referiu os exemplos de Agostinho Neto e Viteix.

O escritor, considerado o “Poeta Maior”, e o artista, visto como o símbolo das artes em Angola, disse o orador, são referências para as gerações vindouras “pelo contributo e afirmação da angolanidade numa época de dificuldades”.
“Ambos são os heróis que a juventude precisa de ter como bases. Agostinho Neto e Viteix defenderam a africanidade, movimento que ajudou a recuperar a dignidade dos africanos e que culminou na conquista das independências de muitos países do continente”, afirmou.
O historiador e docente falou sobre “Agostinho Neto e Viteix como Espaço da Nação Angolana” na Feira Nacional das Indústrias Culturais, que encerra hoje, em Luanda, sob o lema “Por uma Cultura de Paz, Promovamos as Indústrias Culturais”.
O orador referiu ser “fundamentais os artistas ajudarem a cultivar e a aumentar a auto-estima dos angolanos”, com” discursos e traços inclusivos da identidade nacional nos seus trabalhos”.
“Agostinho Neto e Viteix conseguiram repensar o espaço da nação que hoje é Angola. No poema ‘Havemos de Voltar’ o ‘Poeta Maior’ destaca o reencontro social e cultural, como criador de um lugar-comum a partir das vontades conjunturais e inclusivas”, disse.
Patrício Batsikama sublinhou a importância da obra “Sem Título”, de Viteix, exposta nos anos 1970, em Paris, que “ajudou a mostrar ao mundo, por intermédio da representação da morfologia da pintura, Angola como uma Nação relacional em construção”.
O historiador realçou o modo rítmico e a importância da mensagem deixada por Agostinho Neto na poesia pela textura semântica e o sonho de um país melhor, justo e igual para todos.
“Ambos primaram pela pluralidade, a cooperação e promoveram a conquista da africanidade. Os dois defenderam um país inclusivo, no qual todos podiam viver sem diferençass, promovendo os usos e costumes que identificam os angolanos”, declarou. Patrício Batsikama lembrou aos jovens que “não se é unicamente angolano por ter um Bilhete de Identidade, mas porque se defende o país, a sua cultura e valores enquanto Pátria”.  “Angola é um país rico em recursos naturais e minerais, assim como culturalmente. A diversidade de ritmos, a marimba e o kissanje, assim como outros patrimónios, materiais e imateriais, são prova disso, que precisam do apoio de todos”, disse.
Os propósitos e desafios lançados por Agostinho Neto e Viteix nas suas obras, prosseguiu, são os mesmos que devem ser sempre as bases do FENACULT.
A segunda edição da Feira Nacional das Indústrias Culturais termina hoje, na Feira Internacional de Luanda (FIL), na capital, tem como destaque a apresentação de livros. Mais de 200 expositores participaram nos seis dias de exposição. Livrarias, editoras, gráficas, cartoonistas, escritores, editoras, produtoras, ateliês, artesãos e gastrónomos mostraram o que tem sido produzido no país.
O programa reserva hoje às 12h00, no Espelho da Água, a apresentação do livro “Os Acontecimentos de Ndalatando e Lucala”, de António Assis, e às 15h00, a de “A Rola de Tchinganji”, de Timóteo Ulica.  O Instituto Nacional da Indústrias Culturais apresenta às 16h00, no mesmo espaço, a brochura “Léxicos Temáticos. Língua Nacional - Português”.

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