Cultura

Histórias da cidade da Kyanda transmitidas aos mais jovens

Manuel Albano

O desaparecimento gradual das fontes orais e a pouca publicação de obras sobre os hábitos e costumes dos luandenses são debatidos amanhã, a partir das 16h00, na Casa da Cultura “Njinga a Mbande”,  no Distrito Urbano do Rangel.

Dionísio Rocha vai contar as vivências e memórias de Luanda à juventude do Rangel
Fotografia: PAULINO DAMIÃO

Como prelectores no primeiro encontro sobre “Luanda, sua história, gastronomia, hábitos e costumes” foram convidados o cantor Dionísio Rocha, o escritor Kajimbagala e o jornalista Salas Neto. O encontro visa assinalar os 443 anos da fundação da cidade de Luanda.
Em declarações, ontem, ao Jornal de Angola, a directora da Casa da Cultura “Njinga a Mbande”, Patrícia Faria, disse que a iniciativa visa ajudar a resgatar e contribuir para o reavivar de conhecimentos socio-culturais de uma urbe que congrega costumes, tradições e gastronomia rica, como sinais da identidade cultural de um povo.
Patrícia Faria disse que a globalização e as influências de outras culturas têm contribuído também para a perda dos valores intrínsecos dos habitantes de Luanda. Essa “mistura cultural”, adiantou, está a fazer desaparecer a matriz dos nativos da capital.
Entre o que se deve e não preservar, as histórias caricatas dos bairros, musseques e imigração são, para a também cantora, momentos que devem ser transmitidos às gerações vindouras, como forma de agregar a juventude ao conhecimento sobre a História de Luanda.
Mudar o paradigma das actividades realizadas na capital do país, disse, é o objectivo principal do primeiro encontro sobre “Luanda, sua História, gastronomia, hábitos e costumes”, cuja segunda edição deve abordar com maior incidência os aspectos arquitectónicos da cidade.
O facto de pouco se ler e se escrever sobre a cidade de Luanda, fundada em 1576, por Paulo Dias de Novais, é para a directora da Casa da Cultura “Njinga a Mbande” um momento que deve servir de reflexão do que se pretende deixar como legado à juventude angolana, em particular a luandense.
O encontro, disse, resume-se a uma mesa de debate, onde vão ser discutidos os aspectos socio-culturais da cidade da Kyanda, histórias, curiosidades e gastronomia. Durante o encontro, o cantor  Dionísio Rocha interpreta algumas das suas canções, fundamentalmente aqueles temas que falam de Luanda.
Também amanhã, vai ser assinado um protocolo de cooperação entre a Casa da Cultura do Rangel e a Rádio Kairós, com vista à promoção mútua de actividades de interesse cultural e científico para às instituições.
No protocolo, as partes pretendem dar continuidade ao projecto “Mais comunicação” e, consequentemente, o apoio da Rádio Kairós num plano de comunicação na promoção do objecto social da Casa da Cultura do Rangel, no fomento de conhecimento e melhorar a qualidade de vida dos cidadãos da circunscrição em que está inserida, assim como de outras localidades, por via das artes, beneficência, ciência e educação.

Percurso dos prelectores convidados

Dionísio Rocha, Salas Neto e Kajimbagala são os convidados da primeira edição do encontro “Luanda, sua história, gastronomia, hábitos e costumes”.
Dionísio Patrocínio Nogueira da Rocha, ou  Dionísio Rocha, nasceu em Benguela a 26 de Agosto de 1945.É cantor, actor, locutor e bailarino. Iniciou a carreira musical aos 8 anos com as primeiras récitas no bairro Benfica e na escola 30, em Benguela. Em 1958 chegou a Luanda, e no lendário Bairro Operário, juntou-se ao grupo “Negoleiros do Ritmo”, de Joãozinho Morgado, Almerindo da Cruz e do grande craque do futebol angolano Geovetti.
Em Luanda, começou a apresentar-se no “Wanga Feitiço”e no Quintal da Igreja de São Paulo, dançou no “Botafogo”, entre 1959 e 1961, assim como no “Parque Heróis de Chaves”, no “Sindicado dos Motoristas” e no “Miramar”.
Gonçalves Manuel Afonso Neto “Salas Neto” nasceu no Sambizanga, a 4 de Janeiro de 1960, tendo feito os estudos primários e secundários em Luanda. Técnico médio de Pedagogia, na especialidade de História e Geografia, é estudante de Direito da Universidade Agostinho Neto. É jornalista com passagem por vários órgãos da comunicação social, tanto estatais como privados. Começando na Angop, em 1985, já passou pelo no Jornal de Angola, Jornal dos Desportos, TPA, Folha 8, Angolense e Semanário Angolense.
Felisberto Manuel da Costa “Kajimbagala”, jornalista, escritor e jurista, nasceu a 9 de Novembro de 1958 na aldeia de Kubaza, nas margens do rio Kwanza, a 70 quilómetros de Luanda. Começou a carreira jornalística na Rádio Nacional de Angola.

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