Histórias do apartheid em documentário


19 de Julho, 2014

Fotografia: DR

O Dia Mandela, celebrado mundialmente ontem, serviu de pretexto para a estreia, em Portugal, de um documentário sobre o regime segregacionista do apartheid na África do Sul, através da história de um empresário francês.

Realizado pelo espanhol Carlos Agulló e parcialmente rodado em Angola, “Plot for peace, the end of apartheid, an untold story” (em português “Conspiração para a paz, o fim do apartheid, uma história por contar”) relata a história de Jean-Yves Olliver, “Monsieur Jacques”, cuja acção “foi fundamental para a paz regional e o fim da discriminação racial na África do Sul”, esclarece a apresentação do filme.
A fundação sul-africana The African Oral History Archive tinha como objectivo “chegar a um público internacional e jovem” e, por isso, procurou alguém que não tivesse “um vínculo emocional com a África do Sul”, explicou Carlos Agulló, reconhecendo que “é pouco comum” um realizador espanhol estar à frente de um projecto deste tipo. Carlos Agulló foi sugerido por outro realizador, o hispano-chileno Alejandro Amenábar, com quem já trabalhou. “Queriam alguém de fora, porque os realizadores sul-africanos que abordaram o tema sempre tiveram uma perspectiva parecida”, refere.
O realizador confessa que teve “um pouco de medo” quando o convidaram, porque nunca tinha feito documentários, apenas ficção, e não sabia “nada da história e da política sul-africanas”, para as quais contou com a assessoria do jornalista Stephen Smith, que conhece bem o país e a região.
“A ideia era contar como os países vizinhos da África do Sul contribuíram para o fim do apartheid com um processo de paz regional”, recordou. Porém, depois surgiu “a oportunidade de falar” com o francês Jean-Yves Olliver e Carlos Agulló achou que “a sua aventura pessoal era um prisma muito interessante” para contar a história “à moda do thriller político”.
O realizador conhecia apenas “o básico sobre Mandela” e “o milagre” que representa “uma pessoa que esteve 27 anos presa e, quando saiu, perdoou aos seus carcereiros, integrando-os no novo Governo”, mas, quando visitou a África do Sul, percebeu que esse foi “um milagre de todo um país, que decidiu seguir esse líder”. Para o documentário, Carlos Agulló conheceu presidentes, ministros, directores de serviços secretos, embaixadores. “Foram dois anos de aprendizagem”, resume. “O desafio de fazer um documentário e contá-lo como se fosse um filme de ficção foi alucinante”, reconhece. “Há várias produtoras de diferentes países que querem realizar um filme de ficção baseado na mesma história, mas é um projecto muto caro e ambicioso, vai levar tempo a arranjar financiamento”, adianta.
Rodado em Angola, Cuba, Estados Unidos, Marrocos, Espanha, Moçambique e Portugal, além da África do Sul, “Plot for peace” já foi apresentado em diversos festivais internacionais, tendo sido premiado no Brasil, Estados Unidos, Irlanda e França.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA