Horizonte prepara comédias para o Natal

Adriano de Melo
12 de Dezembro, 2015

Fotografia: Paulino Damião

A comédia é o género escolhido pela companhia Horizonte Njinga Mbande para brindar o público neste Natal, com a apresentação de diversos espectáculos, com alertas sociais para os jovens, que começa hoje  no seu auditório.

O primeiro espectáculo do programa de Natal do grupo, começa com a exibição da peça “O Padrasto”, em duas sessões, uma às 19h45 e outra às 21h30. A peça conta a história de um homem que é obrigado a “lundular” (desposar) a mulher do falecido irmão.
O actor e membro da direcção do grupo, Damião Kuvula, disse ontem, ao Jornal de Angola, que o objectivo do espectáculo é também chamar a atenção das pessoas para a importância do respeito pela tradição. O “lundulamento”, explicou, é um ritual que faz parte da cultura de várias regiões do país e apesar de hoje ser pouco divulgado ou respeitado pelos jovens, “precisa ser mais divulgado, de forma a se valorizar um princípio que durante anos regeu as sociedades tradicionais.”
Na peça, acrescenta, a mulher não aceita ser desposada pelo irmão do falecido marido. “O que o grupo traz à reflexão do público é o peso de alguns princípios tradicionais e a sua força em determinadas regiões, assim como a importância dos jovens respeitarem essas ideologias, sem descurar os seus conhecimentos modernos”, esclareceu.
Para a próxima semana, disse, o grupo apresenta quinta-feira, sexta-feira, sábado e domingo, o espectáculo “Quanto mais bandido melhor”, no auditório da escola Njinga Mbande. A peça conta a história de Suzana, uma jovem apaixonada por marco, que fica tão envolvida ao ponto de não conseguir desistir deste, mesmo com o seu comportamento negativo. “É uma comédia mais direccionada aos jovens, porque mostra uma das actuais tendências destes, em especial as adolescentes, que preferem manter um relacionamento com marginais”, disse. Nos idas 25, 26 e 27, adiantou, o grupo preparou espectáculos especiais, mais virados para as relações familiares. Às 15h00, contou, o grupo apresenta “O Pinóquio Africano”, uma adaptação do conto infantil à realidade africana. O espectáculo, acrescentou, é encenado apenas por crianças.
Nos mesmos dias, mas às 19h45 e às 21h30, o Horizonte exibe a peça “Família”, que conta a história de Nelinho, um homem de posses que humilha sempre os parentes no Natal. “Algumas pessoas acreditam que nesta altura do ano todos os visitantes são pedintes ou querem algo. Afastam logo de imediato a ideia de solidariedade e irmandade que a data representa. O objectivo do grupo é ajudar a mudar um pouco este pensamento”, reforçou, destacando que apesar de ser uma comédia, a peça procura chamar a atenção para o respeito pelas diferenças familiares e a importância do diálogo nas famílias.
O Horizonte, disse o actor, já começou igualmente a traçar metas para o próximo ano, dentre as quais têm como prioridade reforçar a aproximação entre o teatro e o público a nível nacional. “Queremos levar o teatro ao público e não ficar limitados apenas aos palcos convencionais. Temos estado a fazer isso já há meses. O último local em que estivemos dentro desta iniciativa foi em Viana, onde apresentamos a peça “A Gravidez”, na Vila Turística KDS. Mas não queremos ficar só por aí. É preciso ir mais longe, até aos mercados e comunas, onde os moradores dificilmente têm a oportunidade de ver um espectáculo de teatro”, defendeu.
Damião Kuvula adiantou ainda que o Horizonte continua a realizar o seu projecto de descoberta de novos talentos e formação de quadros, através dos cursos de formação de actores, edição de vídeo, operadores de câmara e apresentadores de televisão.

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