Cultura

“Hotel Komarka”em cartaz no palco da Casa das Artes

António Bequengue

A história de oito reclusos, que lutam para fugir da cadeia em que se encontram há 20 anos, retratada na comédia “Hotel Komarka” do grupo Henrique Artes vai estar em cartaz amanhã até domingo, a partir das 20h00, na Casa das Artes, em Talatona.

A peça consta entre os mais premiados espectáculos de teatro produzidos há uma década
Fotografia: DR

A temporada na Casa das Artes enquadra-se no décimo primeiro aniversário da estreia deste espectáculo de teatro, o mais premiado a nível internacional, que narra as várias perícias dramáticas por que passam oito reclusos na cadeia, desde momentos de emoção, tristeza, sonhos, alegria e, principalmente, desejo de liberdade por vias incorrectas. 
Uma produção da Bucos Produções, com encenação e direcção artística de Flávio Ferrão, o espectáculo “Hotel Komarka” é levada à cena pelos actores Adilson Vunge, que interpreta  Boy Toy, um criminoso altamente perigoso; Raúl João Lourenço (Tele Tubi); Ailtom Manuel Silverio (Betume); Benjamim Ferrão (Randol); Leandro Alfredo (Turbo); Samuel de Jesus Viegas (Tadeu) e Indira Contreiras (Jurema).
Os ingressos estão a ser comercializados ao preço de cinco mil kwanzas no local dos espectáculos e na Stromp Music.
Na peça, Boy Toy, o típico criminoso super  perigoso, esteve metido em diversos crimes e para sua captura foi necessário um aparato policial e uma operação detalhada. É pequeno no meio dos matulões da cela, mas é um tipo que impõe respeito, foi condenado a pena má-xima. É  pago para matar  dentro  do  Hotel Komarka.
O jovem Tele Tubi, que cresceu com distúrbios psicológicos, viu a sua mãe, uma zungueira ser brutalmente espancada por  fiscais na via pública, por estar a vender na rua. Já na fase adulta o jovem atropela mortalmente e  propositadamente um polícia, matando os restantes sem dor  nem piedade e é condenado a pena máxima.
Vingando a morte do seu irmão, que foi  julgado e condenado por ter estuprado uma criança  de dez anos até a morte, Betume mata o juiz e termina na cela  do Hotel Komarka, também condenado a pena máxima.
O chefe da cela, Randol, líder da cadeia condenado à  pena máxima, esteve envolvido em roubos e assassinatos.  É um homem bastante frio, o maior mentor da tentativa de fuga. A actor Benjamin Ferrão fez parte da estreia do Hotel Komarka em 2007 e participou em quase todos  os espectáculos,  de realçar que esteve em todas conquistas  da peça no interior e exterior do país.
Preso injustamente, Turbo caí numa grande armadilha, mas tudo o apontava como o culpado. Mas a sua maior tristeza é a sua mulher que não acreditou na sua inocência no momento que ele mais precisava e, por este  motivo, não viu a filha a crescer.

Tadeu, foi preso por assassinato e, a espera de julgamento, acredita ter cometido um grande crime, mas,  ao sentir a realidade da cela,  vê que está metido num mundo negro; sofre estupro logo no primeiro dia no Hotel Komarka,  passa muitas dificuldades na sua nova reintegração na cela.

A única mulher em cena, Jurema estava grávida aquando da detenção do marido e o seu maior erro foi não acreditar naquele que era o amor da sua vida; alguns anos depois vai visitá-lo para lhe contar que sabe que ele afinal é inocente. Mas que vai recomeçar a vida sem ele. Jurema vai voltar a casar para dar um lar a filha de ambos e que fruto dessa nova relação ela teve mais duas filhas.

A actriz faz parte do espectáculo desde 2008, aquando da sua  participação em Cabo Verde e esteve ausente por motivos académicos na República Federativa do Brasil, mais logo regressou ao país recuperou com brio e lealdade o personagem. No grupo, há aproximadamente 14 anos , a actriz esteve em algumas conquistas da peça com realce para os Globos de Ouro Angola.

Peça de fácil mutação

Segundo o encenador do Henrique Artes, o espectáculo está em constante actualização, introduzindo no enredo factores sociais novos. “Actualizamos  outros factores que não perigam o seu enredo. Em suma, é uma peça de fácil mutação”.
A ideia da surgimento de “Hotel Komarka”, explica Flávio Ferrão, nasceu num curso de teatro em Angola, ministrado por professores brasileiros e do contributo de um jovem que havia saído dos Serviços Penitenciários, que contou de forma engraçada ao encenador várias histórias que passara na cadeia.


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