Humanidade tem novos monumentos históricos


30 de Junho, 2014

Fotografia: DR

O Rani-ki-Vav, um monumental poço esculpido do século XI que pode ser visitado em Patan, na Índia, e o Grande Canal da China, considerado o maior canal artificial do mundo, estão entre as novas inscrições na lista do Património Mundial da UNESCO, anunciou a organização.

Considerada uma das maravilhas da Índia, o Rani-ki-Vav, também conhecido como Poço da Rainha, é a mais recente inscrição na lista do Património Mundial, anunciou o comité da UNESCO que reuniu até, quarta-feira, em Doha, no Qatar. Encomendado pela rainha Udayamati, em homenagem ao marido que tinha morrido, o Rani-ki-Vav foi projectado como “um templo invertido”, que destacava “a santidade da água”, lê-se na candidatura à UNESCO deste monumento com sete andares subterrâneos.
Situado em Patan, que foi em tempos a capital de Gujarat, este poço esteve durante anos e anos “desaparecido”. Foi na década de 1980 que se iniciaram os trabalhos de escavação e restauro deste sítio, que está repleto de esculturas. Também o Grande Canal da China foi considerado Património Mundial, tendo em conta que se trata da via fluvial artificial mais extensa do mundo. Com mais de 2400 anos de história, este canal também conhecido como Grande Canal Jing-Han tem uma extensão de 1794 quilómetros e liga Pequim a Hangzhou, atravessando oito regiões e 35 cidades.
Outra novidade é a inscrição nesta importante lista da UNESCO da Abadia de Corvey, que fica na cidade alemã de Höxter, e que na Idade Média foi um importante centro político e religioso. O mosteiro beneditino, construído por monges nas margens do rio Weser no ano de 822, foi um importante símbolo da dinastia carolíngia. Desde 1999 que a Alemanha espera ver este monumento classificado como Património Mundial.

Novo Iraque

A Cidadela de Erbil, situada na capital do Curdistão iraquiano, entrou também para a lista do Património Mundial, anunciou o comité da UNESCO. A novidade, que vai contra os avisos dos especialistas que alertam para os perigos, por esta ser uma zona de conflito, foi anunciada pela sheikha Al Mayassa Bint Hamad Bin Khalifa Al-Thani.
Para o representante da delegação iraquiana, esta classificação “é um presente” para o seu povo e todas as comunidades do Iraque. “É um sinal positivo neste momento em que o Iraque tanto precisa de uma nota de optimismo”, reagiu em Doha, entre aplausos, o responsável, citado pela AFP. Esta decisão surge num momento particularmente difícil para o Iraque, que luta contra o avanço jihadistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS) nos últimos dias e que há cerca de duas semanas tomaram Mossul, a segunda maior cidade do país, obrigando meio milhão de pessoas a fugir. Mossul fica a apenas 77 quilómetros de Erbil. Os jihadistas tomaram ainda uma grande parte da província de Ninive, Tikrit e outros sectores das províncias de Salaheddine, Diyala (no Leste) e Kirkuk (norte).
De acordo com a agência AFP, o comité do Património Mundial não teve em conta o relatório desfavorável à classificação da Cidadela de Erbil feito pelo Conselho Intermunicipal dos Monumentos e Sítios (Icomos), que aconselhava a UNESCO a adiar a consideração desta nomeação. Segundo o Icomos, “os argumentos sobre a questão da classificação da Cidadela de Erbil não contribuem para demonstrar a justificação do valor universal excepcional proposto nesta fase”.
A Cidadela de Erbil é uma antiga cidade fortificada, que foi construída em cima de uma imponente montanha. Com mais de oito mil anos de história, Erbil é a cidade mais antiga do mundo continuamente habitada.

Sítios em perigo

A paisagem cultural de Batir, terra de oliveiras e vinhas situado a Sul de Jerusalém que a Autoridade Palestiniana diz estar “ameaçada" pelo avanço do muro que separa Israel da Palestina também foi classificada como Património Mundial, mas entrou também para a lista do Património em Perigo, tendo em conta a posição vulnerável em que se encontra e que, segundo a UNESCO, pode causar danos irreversíveis ao sítio.
Os 21 membros do Comité da UNESCO classificaram ainda a cidade histórica de Jeddah, na Arábia Saudita, um dos portos mais importantes das rotas comerciais do Oceano Índico desde o século VII. Também aqui o comité não seguiu as indicações do Icomos, que aconselhava que se fizesse uma reavaliação da candidatura, uma vez que “grande parte do tecido urbano está deteriorado ou desapareceu durante os últimos 50 anos”.
Também classificadas foram a zona industrial de Van Nelle, em Roterdão, “uma das jóias da arquitectura industrial do século XX”, construída nos anos 1920 ao longo de um canal de Roterdão, e fábrica de seda japonesa Tomioka em Gunma, a noroeste de Tóquio, e considerado um testemunho “da entrada do país no mundo moderno industrializado”.
A mais recente classificação até ao momento é a de um vasto e antigo sistema viário construído pelos incas e que abrange seis países da América do Sul: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru. Conhecida como Qhapaq Nan, esta rede de estradas é uma façanha de engenharia: abrange cerca de 30.000 km, foi construída ao longo de séculos e atravessa montanhas, vales e desertos. Os seis países envolvidos chegaram a acordo para apresentar uma candidatura comum, comprometendo-se a trabalhar em conjunto no restauro e preservação deste testemunho da civilização inca.

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