Identidade de Zan revista no Camões


8 de Abril, 2015

Fotografia: João Gomes

Ritmos de jazz e traços típicos da terra mãe, assentes na memória e na identidade nacional é a proposta, em acrílico sobre tela, que o artista Zan propõem hoje ao público, a partir das 18h00, no Instituto Camões, naquele que é o seu regresso às origens, com “Absolut Zan”.

Num olhar crítico, o artista juntou uma pitada de sentido de humor a cada um dos quadros, resultantes de uma ausência de 17 anos e agora, como conta o artista, ajudam a “colorir e dar mais fôlego ao ambiente artístico”.
O artista, considerado como um dos pintores angolanos mais representativos da sua geração, hoje com 69 anos (faz em Maio 70), pretende mostrar a experiência de um trabalho de décadas, onde o tradicional casa com o modernismo.
A exposição, confessa o artista que aproveitou para matar a saudade com os amigos, é também a oportunidade do público apreciar a produção do pintor nos últimos anos, num reencontro com a terra e as paisagens.
Entre quadros mais antigos e outros mais recentes, a mostra, que tem o pendor de uma retrospectiva, coloca em evidência a preocupação do artista em apresentar apenas o que é novo, dando vitalidade, através da selecção de telas, à sua identificação.
O interesse pela pintura, confessa, nasceu à custa de descobertas pessoais. “Claro que a escola teria obviado a aprendizagem, porque se perde menos tempo a descobrir os caminhos das técnicas da pintura sob orientação académica”, conta, mas acrescenta que no seu caso foi arrebatado por outras seduções, como a música.
“Enquanto Portugal entristece, em Angola a vida está a acontecer. O estado das artes está a animar. Infelizmente, há uns putos que ainda não se libertaram da comodidade de pintar sob influência de Basquiat, uma pintura quase automática que apesar de exigir conhecimento técnico, dispensa imaginação”, disse.
O regresso do artista, que agora não volta com acordes de groove, mas com pinceladas em acrílico, apesar de ainda manter os ritmos e as cores do jazz na maioria das telas, é acompanhada também por um olhar as raízes africanas e angolanas. O artista acrescenta ainda que as raízes expostas não estão assentes em imagens de palmeiras ondulantes ao vento, ou mulheres com cargas à cabeça, para distinguir o comum da identidade africana. Hoje, conta, prefere “entregar” as suas telas à liberdade de apreciação de terceiros. “Quanto mais leituras os quadros tiverem, mais enriquecida se torna a pintura”, explicou. Porém, apesar das inovações, do seu estilo único, o artista continua a mostrar nas telas a certeza de que para pintar “é preciso primeiro reflectir sobre a vida e os homens, ou a cultura geral para se ter um Norte”. O artista falou também do desejo de realizar uma exposição de quadros “sensuais”, que já tem um bom número de telas em carteira, mas no momento fica adiada.
Hoje, o artista pretende, além da exposição, manter ainda um encontro com os amigos, com uma selecção musical da criteriosa da discoteca privada do artista, onde o jazz é a predominância.

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