Cultura

Inclusão social dos Khoisan é prioridade

Carlos Paulino | Menongue

A ministra da Cultura, Carolina Cerqueira, anunciou quarta-feira, no município do Cuchi, província do Cuando Cubango, que a instituição que dirige vai proceder, nos próximos dias, a um levantamento das minorias étnicas do país, a começar pela comunidade Khoisan, para a sua efectiva preservação, reintegração e inclusão social.

Ministra da Cultura com comunidades Khoisan no Cuchi
Fotografia: Carlos Paulino | Edições Novembro

No Cuando Cubango a organização não-governamental Missão de Beneficência Agro-pecuária do Kubango, Inclusão, Tecnologia e Ambiente (MBAKITA) revelou ter registados 12 mil membros da comunidade Khoisan, que clamam para serem reassentados em locais fixos e possam também beneficiar dos serviços sociais básicos que o Executivo tem estado a colocar à disposição das populações em toda a região.
Na província do Cuando Cubango existem 31 numerosas comunidades Khoisan nos municípios de Menongue, Cuito Cuanavale, Cuangar, Calai, Dirico, Nancova, Mavinga e Rivungo. A maioria ainda sobrevive de forma primitiva, através da caça e recolha de frutos silvestres.
Carolina Cerqueira, que trabalhou durante três dias no Cuando Cubango, assegurou que está previsto no Plano Nacional de Desenvolvimento 2018/2022 uma maior atenção ao atendimento dos grupos étnicos linguísticos minoritários.
 “Vamos fazer estudos de investigação e recorrer a iniciativas comparadas de outros países, como a Namíbia e a África do Sul, para se encontrarem soluções de inclusão social para estas minorias étnicas, que precisam de uma atenção especial do Executivo”, disse.
A ministra realçou que é com a inclusão social das minorias étnicas e o reconhecimento do seu valor enquanto identidade cultural nacional que o Governo vai valorizar os Khoisan, dando-lhes a oportunidade de acesso à educação e serviços de saúde.
Santos Cambinda, soba da aldeia de Mbundo, que fica a 90 quilómetros da cidade de Menongue, informou que no povoado vivem 134 membros da comunidade Khoisan, que  têm falta de alimentação, vestuário, água potável, medicamentos e material escolar.
O soba Cambinda pediu ao Governo para apoiar os “camussequeles” (Khoisan),  com charruas de tracção animal, gado bovino, sementes, adubos e  enxadas para que possam produzir a sua própria comida e deixem de depender de doações ou se alimentem apenas de carne de caça e de frutos silvestres.
A falta de água potável tem feito com que muitos Khoisan sejam obrigados a percorrer longas distâncias na busca do precioso líquido no rio, onde muitas  vezes são atacados por jacarés.
O soba disse que o posto de saúde da aldeia está há muitos meses sem medicamentos, obrigando as populações a utilizarem raízes e folhas para o tratamento da malária e doenças diarreicas e respiratórias agudas.

Missão do Sendje

Carolina Cerqueira manifestou-se preocupada com o avançado estado de degradação da Missão Católica  do Sendje, fundada em 1897.
A missão desempenhou um papel importante na assistência médica à população do Cuando Cubango e na formação de muitos quadros.
 “Pensamos que, no âmbito das parcerias que temos  com a Igreja Católica, podemos encontrar uma plataforma de trabalho para a reabilitação da Missão do Sendje e ajudar na melhoria da assistência médica e educacional das populações do Cuchi”, disse.
A ministra da Cultura anunciou a realização, nos próximos dias, de um processo de cadastramento nacional de todas as autoridades tradicionais, para se saber o número real e acabar com aquelas pessoas que exercem a função de forma ilegal.

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