Incumprimento dos projectos é a falha

Roque Silva|
26 de Dezembro, 2014

Fotografia: João Gomes

O secretário-geral da União Nacional dos Artistas e Compositores (UNAC) afirmou que a sua instituição foi impotente para cumprir os principais objectivos traçados para este ano.

Belmiro Carlos referiu ao Jornal de Angola que 2014 foi o pior dos últimos dez anos vividos pela Associação de Utilidade Pública, apesar do apoio financeiro do Estado, à luz do ponto 16, do Artigo 6º do Decreto Presidencial 320/11 e dos acordos firmados com o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA).
A direcção da UNAC assinou contratos-programas com departamentos ministeriais e Governos Provinciais, bem como concebeu um programa de revitalização do panorama artístico nacional inclusivo, permanente e sustentado, tendo como base o diploma, mas ambos não foram executados.
A não aprovação de uma Lei que permite a transformação da UNAC em entidade de gestão colectiva de direitos de autor, a suspensão da assistência médica e medicamentosa aos artistas mais velhos e das acções de formação profissional por falta de dinheiro são outros aspectos negativos.
A instituição atravessa uma situação financeira deplorável, a julgar pelo subsídio auferido e as necessidades que a mesma tem para as cobrir. As delegações provinciais da UNAC, num total de 12, funcionam em estruturas com péssimas condições e os cerca de 50 trabalhadores efectivos e mais de 20 colaboradores permanentes têm salários irrisórios e desajustados à Função Pública.
“A formação dos nossos artistas não está a ser encarada com a dimensão requerida e isso vai custar caro num futuro próximo ao país”, disse Belmiro Carlos, adiantando que a actividade artística em Angola está cada vez mais elitista, desestruturada, desregrada e sem estímulo.
A direcção da Associação de Utilidade Pública foi impotente para travar o desemprego e o desespero e aumentou a frustração que reina no seio de alguns membros que acreditaram nos projectos.
“Este foi um ano para esquecer. O pior dos últimos dez anos da instituição e digo isso com muita mágoa. Nada funcionou, sem que tenha sido dada alguma explicação. Criámos muitas expectativas aos filiados, agentes e empresários culturais.”
“O trabalho artístico é o único elemento que pode conferir a dignidade e respeito há muito reclamado pela classe. Reunimo-nos com responsáveis de algumas instituições e obtivemos garantias mas ainda aguardamos pelas respostas”, concluiu.

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