Independência de Angola vista no cinema


21 de Março, 2015

Fotografia: Reuters

A independência de Angola é um dos destaques do Festival de Cinema Africano de Córdova, que decorre de hoje até ao dia 28, em diferentes espaços da cidade da Andaluzia, em Espanha.

O festival, único acontecimento cinematográfico do mundo hispânico especializado em cinema africano, inclui este ano uma secção especial, não competitiva, dedicada a Angola: “Relatos do Passado: Angola e África do Sul”. A mostra realiza um percurso cinematográfico pela história destes dois países, mas com especial atenção a Angola e as consequências da guerra de agressão estrangeira, protagonizada pelas tropas da África do Sul e da UNITA.
A situação política angolana é a temática principal da maioria dos filmes apresentados nesta secção. O primeiro filme exibido, “Sambizanga”, é de Sarah Maldoror. O filme acompanha a vida de Maria, a esposa do líder revolucionário Domingos Xavier que vai de prisão em prisão em busca do marido, detido pela polícia política portuguesa. A realizadora Sarah Maldoror é conhecida pelo cinema militante e pelas obras realizadas em África.
Além deste filme também é exibido “Por Aqui Tudo Bem”, da realizadora angolana Pocas Pascoal, que faz parte do júri do festival. O filme reflecte a integração na vida lisboeta de duas irmãs que fogem da guerra. A longa-metragem tem sido reconhecida em festivais de relevo.
A realizadora franco-egipciana Jihan El Tahri oferece uma perspectiva diferente da história mais recente de Angola através do filme “Cuba”, uma odisseia africana, que salienta o papel de Cuba durante as guerras de libertação africanas e, mais concretamente, o envolvimento desse país na guerra de Angola. O quarto filme é “Angola: Saudades de quem te ama”, de Richard Pakleppa, que mostra as contradições e as desigualdades sociais do país após 27 anos de guerra. Esta visão caleidoscópica da sociedade angolana tem recebido várias distinções internacionais. Além destas realizadoras, duas outras, Pocas Pascoal e Jihan El Tahri, participam no Fórum de Formação “A árvore das palavras”, um espaço formativo e de divulgação que contribui para a promoção do diálogo intercultural, nos meios de comunicação social, a fim de ultrapassar os habituais discursos simplistas, reducionistas e paternalistas sobre os assuntos africanos. Outro fórum onde ambas participam é “Aperitivos de Cinema”, encontros informais entre cineastas convidados, cinéfilos e jornalistas, que conta com a presença, como moderador, do célebre crítico de cinema espanhol Javier H. Estrada, graças à colaboração especial entre o festivale a revista de crítica cinematográfica “Caimán”.
Esta edição do festival tem uma  programação com duas secções competitivas (“Hipermetropia” e “Em Breve”) e quatro secções paralelas (“Afroscope”, “Relatos do passado: Angola e África do Sul”, “Homenagem a Emil Abossolo-Mbo” e “Diáspora africana”).  Para além da programação fílmica, várias actividades paralelas têm lugar durante o festival, entre as quais se destacam os “Aperitivos de Cinema”, encontros entre cineastas, cinéfilos e jornalistas, “Espaço Escola”, vertente pedagógica do festival, “Aldeia Africana”, um espaço de seminários para o público infantil e o fórum “A árvore das palavras”, concentrado na crítica cinematográfica.
Por último, acontece também o encontro “Literatura e Imigração” e a exposição “São os meus direitos. A Declaração Universal de Direitos Humanos através do olhar de 30 fotógrafos”.

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