Instituto Camões comemora 20 anos

Francisco Pedro |
16 de Fevereiro, 2016

Fotografia: Kindala Manuel

A directora do Instituto Camões-Centro Cultural Português, Teresa Mateus, considerou, ontem, em Luanda, que os criadores angolanos de todas as expressões artísticas constituem a essência e a razão de ser e de existir da instituição que dirige.

Em entrevista ao Jornal de Angola, Teresa Mateus falou da política cultural seguida pelo Centro e das perspectivas, sem deixar de fazer um breve balanço dos 20 anos de existência.

Jornal de Angola - Como vai ser a homenagem e quais os atractivos?

Teresa Mateus -
A homenagem não tem um formato fechado. É um Encontro no qual os protagonistas são todos os criadores culturais que, de algum modo, deram o seu contributo para construir a história do Camões/CCP. Vamos festejar sob o lema “20 Anos  a Partilhar Cultura em Angola”. A eles caberá a palavra, a eles caberá transmitir como, quando e quantas vezes se cruzaram com o Camões/CCP e que expectativas têm para futuro. Será uma conversa aberta, na qual participarão os criadores das várias expressões artísticas, mas também os jornalistas que têm acompanhado e dado visibilidade à oferta cultural produzida ao longo de duas décadas.

Jornal de Angola - Que importância atribui à relação do Instituto Camões-Centro Cultural Português com os artistas e escritores angolanos em particular?

Teresa Mateus -
Os criadores de todas as expressões artísticas, designadamente os artistas plásticos e escritores, são a essência e a razão de ser, e de existir, do Camões/CCP. São os sujeitos activos na materialização de uma estratégia de Partilha, implícita nos objectivos do Camões/CCP. Relativamente aos escritores, será de sublinhar a importância da divulgação da literatura e escritores angolanos, como forma privilegiada de fomento da Língua Portuguesa. Língua global, partilhada por 250 milhões de pessoas espalhadas por vários continentes.

Jornal de Angola - Ao longo dos 20 anos de existência, quais foram os momentos mais marcantes para o Instituto Camões-Centro Cultural Português e porquê?

Teresa Mateus -
Embora possamos destacar trabalhos e criadores consagrados que passaram pelo Camões/CCP ao longo destes 20 anos, como António Ole, Van, Jorge Gumbe, Eleutério Sanches, Ana Vidigal, Manuel Rui, Pepetela, e José Mena Abrantes, seria sempre injusto deixar de fora largas dezenas de criadores que deram o seu contributo, sempre especial e único,  para construir esta história. Permito-me apenas aludir a um momento muito particular, pela forte carga dramática e emotiva que envolveu, que  foi a exposição “Absolut ZAN” do saudoso  ZAN. Músico, poeta e artista, veio despedir-se da sua terra-mãe, e da vida, com a sua última exposição no Camões/CCP, após 17 anos de ausência.

Jornal de Angola - Qual é de facto a política do Instituto Camões-Centro Cultural Português?

Teresa Mateus -
A política do Camões/­CCP é a promoção da Cultura e da Cooperação, pelo reconhecimento do seu papel preponderante, como factor de desenvolvimento e de aproximação entre países, povos e pessoas.

Jornal de Angola - Que balanço faz de 2015?

Teresa Mateus -
Em 2015, o Camões/CCP organizou mais de cem actividades (o mesmo número das actividades de 2014), entre as  quais se destacaram exposições, lançamentos de obras literárias, designadamente infanto-juvenis, e a obra de dramaturgia (Quotidiamo) escrita por quatro escritores (angola, Brasil, Cabo Verde e Portugal), de Angola (José Mena Abrante) e de Portugal (Rui Zink). Tivemos mesas redondas, seminários, sessões de teatro, recitais de poesia, espectáculos de dança contemporânea, oficinas artísticas, cinema e concertos. Para cumprir o referido programa, foi necessário um considerável esforço financeiro, partilhado pelos  parceiros que promovem a cultura e têm confiado no trabalho desenvolvido pelo Camões/CCP em prol desse objectivo.

Jornal de Angola - Dispõem de uma verba  anual, ou dependem de patrocinadores?

Teresa Mateus -
Apesar do Camões/CCP dispor de um orçamento que cobre as despesas de  funcionamento, para desenvolver as actividades culturais conta com o apoio de parceiros, que se associam a cada projecto, partilhando ideias e respectivas responsabilidades.

Jornal de Angola - Perspectivas para este ano?

Teresa Mateus -
Destacamos exposições individuais de Van, Jorge Gumbe, Sabby, Isabel Baptista e Hildebrando de Melo, colectivas dos  angolanas Erica Jâmece, Grácia Ferreira, Imanni Silva, Leda Baltazar e Patrícia Cardoso e outra com  António Ole, Mário Tendinha, Gonga e Paulo Kussy. Temos também mais três edições de “Há Teatro no Camões”, uma edição do “Luanda Cartoon”, Recitais de Poesia, concertos e homenagens a destacadas figuras. Lançamentos de obras literárias e o regresso da Companhia de Dança Contemporânea, dirigida pela coreógrafa Ana Clara Guerra Marques.

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA