Instituto Goethe divulga o cinema

Francisco Pedro|
19 de Abril, 2015

Fotografia: Paulino Damião

Um álbum de fotografias intitulado ''Angola Cinemas'' foi lançado em Luanda pelo Goethe-Institut Angola, no Museu de História Militar, sendo co-autores o actor Miguel Hurst e o fotógrafo Walter Fernandes.

A directora do Goethe Institut Angola, Christiane Schulte, Stiller-Kern e Miguel Hurst assinam o texto introdutório, “O Porquê deste livro”. De acordo com a directora Christiane Schulte, dar um reconhecimento ao valor urbano e à importância histórica de um equipamento cultural único, constam entre os objectivos da obra.
Com 237 páginas, o livro é bilingue (português e inglês) e contém textos das arquitectas Maria Alice Correia, Paula Nascimento e João Guimarães, que realçam aspectos arquitectónicos das salas de cinema e a sua relação com o clima das cidades em quase todas as províncias, bem como o funcionamento das mesmas, desde a década de 1950.
Na opinião dos arquitectos, os cinemas em Angola são o reflexo da história do país, “neles tiveram palco os grandes espectáculos, as grandes estreias, o entretenimento e a propaganda de um regime colonial”.
O livro também menciona os arquitectos que projectaram os cinemas, à semelhança dos irmãos João e Luís Garcia de Castilho, que desenharam os cinemas Restauração (actual Assembleia Nacional), Miramar e Karl Marx.
Além das fotografias, o livro contém um anexo: “O começo de uma pesquisa - salas de Cabinda ao Cunene”, em que os autores apresentam dados históricos das salas de cinema, incluindo a data de construção, o arquitecto autor da planta e a capacidade de cinéfilos em lugares sentados. Estão em falta fotos do Ngola Cine, Cine Cazenga, São João, São Domingos e outros cinemas do interior que eram muito frequentados nas décadas de 1970, 1980 e 1990.
Segundo Miguel Hurst, nem sempre houve a autorização de fotografar ou entrar nos espaços. Outras razões de algumas salas não constarem no livro devem-se ao facto da qualidade das imagens não corresponderem ao critério de publicação e limite de paginação. Além disso, também algumas alterações na génese arquitectónica, no traço original de algumas salas, “que nos obrigaram a não mostrá-las”. Sobre as motivações que o levaram a produzir o livro em três anos, Miguel Hurst falou em fotografar para preservar a memória de pérolas arquitectónicas, neste caso, as salas de cinema em Angola. “Chamar a atenção e provocar a reflexão sobre a existência e o futuro das mesmas.”
Embora tenha adquirido alguns dados em Portugal, no Arquivo Histórico Ultramarino, na Cinemateca Portuguesa, na Fundação Calouste Gulbenkian e no Instituto de Investigação Científica Tropical, a memória descritiva das salas de cinema não são completas.
Miguel Hurst informou que os arquivos consultados não forneceram as informações necessárias para completar a listagem no anexo do livro. Os dados estão disponíveis no site “www.cineafrica.net” e pedem contribuições de pessoas interessadas para completarem a lista. “Não nos podemos esquecer que este livro é o ‘começo de uma pesquisa’”, realçou.
A arquitectura das salas de cinema merece destaque no livro. A intenção dos autores foi chamar a atenção ao património arquitectónico, único que existe no país, e por se tratar de uma arquitectura “pouco divulgada, mas de grande qualidade construtiva e estilística, torna-se imperativa a sua compreensão, catalogação e conservação”, considerou o actor.
“Um livro não pode abordar todas as questões importantes que rodeiam um tema. Neste caso quisemos focar a arquitectura de três épocas distintas, singulares e peculiares, presentes nas salas de cinema deste nosso país.”

capa do dia

Get Adobe Flash player




ARTIGOS

MULTIMÉDIA