Cultura

Instrumentos tradicionais em exposição

Roque Silva |

A função, o poder, o papel e a estreita e indissolúvel relação dos instrumentos e da música tradicionais de Angola com o quotidiano nas comunidades podem ser revistos no Centro Cultural Brasil-Angola (CCBA), em Luanda, que alberga desde quinta-feira, uma exposição etnográfica de utensílios manufacturados para a constituição de sons e canções, usados em rituais.

Secretário de Estado da Cultura João Constantino (à direita) quando recebia explicações do director do Museu Nacional de Antropologia
Fotografia: Paulo Mulaza | Edições Novembro

A mostra, intitulada “A função dos instrumentos e da música tradicionais de Angola” está patente até 18 de Junho, por ocasião do Dia Internacional dos Museus, cujo tema de celebração da efeméride, este ano, é “Museus e  histórias controversas:  dizer o indizível em museus”.
A exposição, promovida pelo Ministério da Cultura, através do Museu Nacional de Antropologia, em parceria com o CCBA, integra mais de 30 instrumentos que traduzem as suas várias utilidades em diferentes regiões do país e grupos etnolinguísticos.
Os instrumentos tradicionais representam o rico acervo nacional, presente nas comunidades dos povos ambundu, bakongo, cokwe, ovimbundu, nyaneka-humbi e ambó.
A exposição está dividida em quatro categorias de instrumentos, a designar os membrafones, tocados directamente com as mãos, os idiofones que são executados com o suporte de objectos, os cordofones que são os instrumentos de corda  e os aerofones, os de sopro.
Quem visita a exposição toma contacto com uma colecção de instrumentos muito diversificada, onde se destacam o mondo, trompa chifre e a pwita, instrumentos musicais e meios de comunicação, omakola (usado em cerimónias de adivinhação), cihumba (usado por comunidades pastoris do sudoeste de Angola), kakoxe (para bailados diversos), hungu e dikanza (usados em conjuntos tradicionais e modernos), olumbendo-flauta (usado pelo séquito real nas suas deslocações e também nas diversões populares) e o mpungi (para cerimónias de entronização do chefe, nas guerras e funerais dos grandes sobras e dos antigos reis do Kongo).
O ongoma (para cerimónias como casamento, confraternização, reencontros familiares e em ritos de iniciação masculina), mukupyela (instrumento musical da nobreza e do poder tradicional), kissanje (para produção musical, sobretudo sentimental e usado pelos viajentes para distrair e encurtar distâncias), libembe (para efeitos de práticas divinas), ntsasi (acessório musical usado em vários rituais, servindo também para consolar crianças), sangu-já-kumolu (acessório de dança usado no tornozelo) e o ngongi (usado durante a entronização dos chefes tradicionais, para assinalar a sua presença, que também representa a dignidade, o poder e a autoridade dos chefes) são outros instrumentos expostos na galeria do CCBA.

Relação estreita


Os museus, quando ao serviço da sociedade, são ferramentas que permitem a criação de relações mais pacíficas entre os povos, afirmou o secretário de Estado da Cultura, para quem a exposição traduz a memória e representa a história do povo angolano.
João Constantino referiu que a efeméride é uma oportunidade para as pessoas reflectirem e procurarem compreender o incompreensível do passado controverso inerente à humanidade e permite pensar na compreensão do outro, na sua história e identidade.
A cultura de paz, de reconciliação nacional e de unidade entre os povos é uma mensagem transmitida pelos instrumentos musicais em Angola, disse o governante tendo afirmado “além de outros meios de socialização do conhecimento, como os museus, na divulgação da mensagem a nível do continente africano.”

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