Invenções de Da Vinci levadas a São Paulo


18 de Novembro, 2014

Fotografia: Divulgação

As famosas invenções que Leonardo da Vinci criou ao longo da sua vida desembarcaram em São Paulo, onde são exibidas pela primeira vez na América Latina.

Através da exposição interactiva “Leonardo da Vinci, a natureza da invenção”, o público tem a oportunidade de se aproximar do homem que revolucionou o humanismo e a história da arte. Matemático, físico, cientista, geólogo, engenheiro, arquitecto, botânico, zoólogo, anatomista, filósofo, poeta e músico, Da Vinci foi um génio, mas não pelas razões que todos imaginam.
“Frequentemente, Da Vinci é visto como super-herói, mas na realidade era um homem e um homem do seu tempo. Queremos desmontar esse mito”, argumentou à Agência Efe o curador da mostra, o italiano Éric Lapie.
Para Lapie, a grande genialidade do artista foi exactamente “encontrar analogias e conexões entre muitos campos do conhecimento, construindo uma teoria geral sobre o universo”.
A mostra reúne reconstruções dos protótipos desenhados por Da Vinci, confeccionados de forma inédita em 1952 para o quinto centenário do nascimento do pintor florentino e que, actualmente, fazem parte da colecção do Museo della Scienza e della Tecnologia Leonardo da Vinci, em Milão.
As peças são reproduções que, na maioria das vezes, jamais foram construídas pelo próprio Da Vinci, já que, “os seus desenhos raramente são projectos destinados à execução”, mas sim para modelar em papel as suas observações.
O desenho foi isso para ele, ferramenta principal para compreender e explicar o funcionamento do mundo, que depois registou nos seus cadernos com pena e muita perseverança. “A sua curiosidade não tinha limites, mas quase não construiu nada, porque a ciência e a engenharia eram para Da Vinci um acto intelectual”, comentou Lapie.
Uma roupa para mergulhar, uma máquina para polir espelhos, fortalezas militares ou uma nave voadora que imita a anatomia das aves são algumas das invenções de destaque do visionário artista, que se sentia especialmente atraído pela possibilidade de voar, como mostram muitos desenhos expostos.
Quase todos eles contam com uma maqueta em miniatura para que o público toque, observe e experimente com as próprias mãos o mecanismo que os faz funcionar. "Os seus projectos constituem uma enciclopédia gráfica do conhecimento técnico do seu tempo”, declarou o curador, enquanto mostrava o extenso catálogo de invenções exposto.
Lapie afirmou que o artista florentino não foi nem o primeiro nem o único a desenhar máquinas, mas os seus desenhos foram, sem dúvida, os mais “sofisticados”, marcando assim o antes e o depois na revolução do desenho.
Ao contrário dos seus contemporâneos, Da Vinci esforçou-se em unificar um permanente diálogo com a tradição juntamente com a comprovação que partia da sua própria experiência. No entanto, e como quis destacar Lapie, na sua época Da Vinci era considerado artesão, não artista nem intelectual.
Até princípio do século XX, a história da arte só viu em Da Vinci um grande pintor. A imagem só mudou com a publicação do seu primeiro livro de projectos de engenharia, com o qual ganhou a mesma relevância como engenheiro.
Um fenómeno, que segundo Lapie, fez com que os desenhos de Da Vinci estejam espalhados e fragmentados em diversas galerias e colecções privadas. A exposição pode ser visitada até ao próximo dia 10 de Maio, de forma gratuita, no Centro Cultural Fiesp - Ruth Cardoso, em São Paulo.

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