Cultura

Isaquiel Cori faz crítica social no novo romance

Mário Cohen

Crítica social narrada num estilo marcado pelo humor, ironia e sarcasmo é o foco do novo romance de Isaquiel Cori “Dias da Nossa Vida”, que chegou às bancas na terça-feira, com lançamento no Camões - Centro Cultural Português, em Luanda.

Escritor autografou o mais recente livro terça-feira no Camões
Fotografia: Santos Pedro | Edições Novembro

Segundo o apresentar da obra, Helder Simbad, a narrativa do livro começa em casa, com um dos integrantes da família do herói ausente, no caso a filha, e termina numa festa, em casa do governador, como outro integrante da família ausente, provavelmente por força de uma norma social que impede menores de estarem em certas cerimónias, revelando assim a incapacidade de o herói em ser uma figura omnipresente que doa simultaneamente à família e o trabalho. 

Para Helder Simbad, Isaquiel Cori é um dos mestres do realismo angolano do pós-independência pela coragem, relativamente às opções temáticas, bem como à concisão dos discursos e expressividade.
O autor de “Dias da Nossa Vida”, disse o apresentador do livro, faz parte da restrita elite de escritores cujas obras são lidas e estudadas anualmente naquela que considera a maior Universidade do país, a Católica de Angola, coexistindo com Agostinho Neto, Luandino Vieira, Pepetela, Almeida Garret e Agualusa.
Na obra, dividida em 11 capítulos, o personagem central é Reinaldo Bartolomeu, chefe dos Serviços de Informação da República (SIR) numa província de Angola, não identificada. Originário de uma família, que o próprio reconhece ser uma verdadeira “dinastia de bufos”.
Um antepassado terá mes-mo feito parte do círculo de confiança da rainha Njinga Mbande. Alguns dos parentes mais notáveis faziam parte dos serviços secretos e outros estavam a trilhar o mesmo caminho: além de um bom emprego era uma questão cultural incrustada no sangue.
O filho, Andrezindo, com apenas sete anos, também já confessara “papá, quando eu crescer também quero ser bufo!”
Para Isaquiel Cori, os personagens e os factos, assim como as suas acções, narrados no livro pertecem ao mundo da ficção, acrescentando que como autor não tem culpa se a realidade do país ultrapassa e banaliza qualquer tipo de ficção ou imaginação.
Visivelmente emocionado, Isaquiel Cori agradeceu, na ociasão, a todos que directa ou indirectamente contribuíram para o surgimento do novo livro, assim como ao Camões-Centro Cultural Português pela rica, regular e diversificada programação cultural que proporciona aos luandenses.
Com a sessão de venda e assinatura de autógrafos de “Dias da Nossa Vida”, o autor totaliza na carreira o quarto livro. O romance chega ao mercado com a chancela da Editora Acácias, em parceria com o Centro Cultural Português, estando disponível nas livrarias Mensagem, 4 de Abril e do Supermercado Kero.
Isaquiel Cori nasceu em Luanda em 1967. Trabalhou como auxiliar de Bibliotecário na Biblioteca Nacional e é co-fundador dos jornais "ÉME" e "Cultura".

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