Cultura

Januário Jano e Délio Jasse na Bienal de Arte Contemporânea

Roque Silva |

Os artistas plásticos Januário Jano e Délio Jasse constam da restrita lista dos seleccionados para participar na primeira edição da Bienal de Arte Contemporânea de Lagos, que decorre de 14 de Outubro a 22 de Novembro, na capital da Nigéria.

Januário Jano é um dos artistas que participa na Bienal de Arte Contemporânea
Fotografia: João Gomes | Edições Novembro

A edição inaugural da iniciativa artística que acontece em torno do tema “Living on the Edge”, em português “Vivendo no Limite”, pretende levar os artistas a reflectirem sobre o tema da “crise” e, em particular, do que significa viver “no limite”, tanto em termos geográficos como psicológicos.
A bienal é realizada em seis diferentes espaços da cidade de Lagos, onde expõem 40 artistas de 20 países. Além dos angolanos Januário Jano e Délio Jasse e do país anfitrião, vão participar artistas de Moçambique, Quénia, Etiópia, Senegal, Ghana,  Nigéria, Egipto, Reino Unido, França, Alemanha, Noruega, Suécia, Espanha, Suíça, Coreia do Sul, Afeganistão, Grécia, Rússia e Irão.
O curador e director artístico da Bienal afirma que a iniciativa quer posicionar Lagos como o principal centro da arte contemporânea no continente africano, com a realização de actividades onde se reúnem criadores com perspectivas futuras de qualidade.
A nota assinada por Folakunle Oshun, publicada na página oficial da iniciativa cultural, refere que a ideia é transformar Lagos num pólo de excelência para a reflexão crítica e o intercâmbio artístico internacional.
De acordo com a publicação, a cidade deve assumir uma postura mais global em relação à arte e à cultura e não ficar refém de ideologias afrocêntricas, por isso a unicidade da experiência humana deve ser abraçada.
A Bienal é organizada pela Akete Art Fundation, uma organização cultural sem fins lucrativos, fundada em 2016 com o objectivo principal de promover a arte contemporânea na Nigéria.
A direcção artística tem a participação da egipto-neerlandesa residente em Paris, Amira Paree, e da plataforma Perpetuum Mobile dirigida por Ivor Stodolsky e Marita Muukkonen.
Januário Jano nasceu em Luanda em 1979. Muito cedo, desenvolveu a prática de criar imagens, designadamente pintando murais, recolhendo  e recortando jornais e revistas. Estudou na Grã-Bretanha onde concluiu uma pós-graduação em Artes na London Metropolitan University.
Trabalha essencialmente com pintura, instalação, vídeo e fotografia. Considerado um artista visual, nascido em Luanda mas alternando a residência entre Portugal e o Reino Unido, Januário é um dos proeminentes jovens artistas plásticos angolanos. Foi distinguido o ano passado em Veneza (Itália), com o prémio Art Laguna Prize na categoria Business for Art. Expôs os seus trabalhos em prestigiadas galerias em África, na Europa e nos Estados Unidos, com destaque para em Doual’Art, nos Camarões, no projecto “África em Movimento”, no Museu Judaico de Nova Iorque, na mostra colectiva “Unortodoxo”, em 2015.
Délio Jasse nasceu e passou a infância e adolescência em Luanda. Com 18 anos de idade, radicou-se em Lisboa, onde tomou contacto com vários ateliers de serigrafia. Em 2009, recebeu o prémio Anteciparte com a série “Identidade  Poética” exposta no Museu do Oriente. Já participou em  exposições individuais e colectivas em vários países, designadamente Angola, Portugal, Brasil, Reino Unido, EUA e Alemanha, Na exposição colectiva “Eu em Angola”, realizada em Janeiro, em Luanda, para celebrar os 30 anos de cooperação entre a União Europeia e Angola, o artista criou uma obra composta por duas imagens sobrepostas (um retrato e uma paisagem), que retratam a vida dos portugueses em Angola, antes da independência. Dessa sobreposição, surge uma imagem nova com um sentido diferente do de cada uma das duas imagens originais.

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