Japão conquista o mundo das artes


6 de Abril, 2015

Fotografia: Reuteres |

A artista japonesa Yayoi Kusama, 86 anos, foi eleita a artista mais popular de 2014, noticiou “The Art Newspaper”, no seu habitual relatório anual no qual analisa os números de todas as exposições do ano anterior.

O jornal norte-americano destaca que num mundo ainda dominado por homens, a estrela de 2014 das artes plásticas foi uma mulher, considerada das mais importantes artistas japonesas da actualidade.
Yayoi Kusuma, que em 2014 andou pela América do Sul com “ sua arte extravagante e obsessiva”, foi procurada por mais de dois milhões de pessoas.
O museu mais visitado do mundo continua a ser o Louvre, Paris, com 9,2 milhões de entradas apenas no ano passado.
A popularidade da artista plástica Yayoi Kusama em 2014 mede-se de forma simples. A exposição retrospectiva da japonesa “Obsessão Infinita”,foi a mais visitada do mundo.
A mostra, a percorrer a América Latina, chegou ao Brasil no ano passado, depois de ter estado na Argentina em 2013, e atirou o país para os lugares cimeiros das exposições mais visitadas à frente de grandes instituições dos Estados Unidos e Reino Unido, sempre presentes neste ranking das artes.
“Obsessão Infinita”, que oferece uma visão global da carreira de Yayoi Kusama, com desenhos, pinturas, colagens, esculturas, fotografias e instalações, esteve entre o final de 2013 e princípio de 2014, no Centro Cultural Banco do Brasil, Rio de Janeiro e Brasília, e no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo. De Setembro a Janeiro esteve no México.
Por isso, explica o jornal, foi no Brasil que a artista mais se destacou, tendo a exposição sido vista por mais de 1,7 milhões de pessoas, com uma média de visitas diárias que variou entre as sete mil e as nove mil. “A Kusama é a única das artistas que vende em todos os continentes”, disse ao “The Independent” o co-director da galeria Victoria Miro que representa a japonesa no Reino Unido, Glenn Scott Wright, para quem a artista, que sofre de Transtorno Obsessivo -Compulsivo (TOC), “é  rara”. Yayoi Kusama vive num hospital psiquiátrico no Japão, para onde foi de livre vontade em 1977, depois de ter vivido duas décadas em Nova Iorque, onde conheceu, por exemplo, Andy Warhol.
Nas suas obras representa as alucinações de que sofre e uma das maiores obsessões que tem são os pontos. Hoje a sua arte é conhecida como “Polka Dot”.
“É esta a sua maneira de mostrar aos outros as coisas que somente ela vê durante as crises que tem”, escreve o jornal.
A obra da japonesa tem percorrido todo o mundo, do Centre Georges Pompidou, em Paris, ao MoMA, de Nova Iorque, passando pelo Tate Modern, em Londres.  O jornal “The Art Newspaper” escreveu ser muito provável que a artista apareça novamente nos tops deste ano, pois “Obsessão Infinita” continua a sua digressão pela América do Sul. Em 7 de Julho está em Santiago do Chile. Ao mesmo tempo, uma segunda retrospectiva percorre a Ásia desde 2013. Começou na Coreia do Sul e está em Taiwan a caminho de Nova Deli.

Rapariga propaganda

 “The Art Newspaper”, que lhe chama “a propaganda para a globalização da arte contemporânea”, refere que ela ultrapassou nomes como Jeff Koons. Aquela que foi apresentada como uma das grandes exposições do calendário das artes em 2014 não entra sequer no top 20.
O jornal acrescenta que mesmo com a mostra de Jeff Koons que o Whitney Museum preparou, considerada a maior que dedicou a um único artista e a primeira retrospectiva do artista em Nova Iorque, Yayoi Kusama conseguiu superá-lo e foi vista por 318.932 pessoas.
O top 20 é encabeçado por três exposições no Museu do Palácio Nacional de Taipé, em Taiwan. A mais visitada foi “Grandes Mestres da Dinastia Ming: Tang Yin”, que atraiu 1,1 milhões de pessoas (12.800 visitas diárias).
Yayoi Kusama, alerta o jornal norte-americano, não está em primeiro no top porque as exposições são separadas por museus, mas que a soma das mostras coloca-a à frente.
Neste ranking o destaque vai também para o Centro Cultural do Banco do Brasil, em especial no do Rio de Janeiro, que aparece logo a seguir ao Museu do Palácio Nacional de Taipé, com a exposição dedicada a Salvador Dalí e a retrospectiva do artista brasileiro Milton Machado. Ambas tiveram mais de nove mil visitas diárias, além de “Obsessão Infinita”.
O jornal norte-americano “Art Newspaper” sublinha que estas exposições brasileiras, inclusisamente a da japonesa, tiveram entradas gratuitas.

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