Cultura

Jardel Selele destaca criações artísticas

Mário Cohen |

A viúva sobre espinho” é o título da obra de pintura do artista plástico Jardel Selele que retrata a história de uma viúva da província de Cuanza Sul, aconselhada pela família a fazer um ritual com a finalidade de evitar viver uma situação semelhante com um futuro marido, mas ela recusa, alegando que vai perder a auto-estima.

Estudante do Complexo de Escolas de Artes (CEARTE) realiza a primeira exposição individual na Galeria Tamar Golan
Fotografia: Vigas da Purificação | Edições Novembro

O quadro que tem atraído muitos apreciadores de arte está patente na Galeria Tamar Golan, na rua Rainha Ginga, em Luanda, onde o artista inaugurou no mês passado a sua primeira exposição individual, denominada “Rostos e Traços”.
A obra descreve ainda, segundo o autor,  a viúva que contraria princípios culturais e que, um mês depois, tem um novo marido que morre agravando mais a sua situação. De acordo com o autor da pintura, o quadro tem outros motivos que retratam a outra oportunidade que lhe foi dada pela família, mas, mesmo assim, ela recusa e vive o desespero por perder a confiança dos filhos e amigos.
Produzido com a técnica de óleo sobre tela, o quadro apresenta um fundo preto com o rosto de uma mulher triste, vestida de pano preto, representando o luto e a dor, além de um espinho traduzido em solidão. Uma outra obra  com a técnica mista sobre tela, intitulado “Solitária”, denuncia a solidão de um menino que está na escuridão. O autor produziu-a com o objectivo de tirá-lo da solidão de maneira a ter a companhia que “somos nós que estamos do outro da tela como observadores”, disse.
Numa entrevista ao Jornal de Angola, o artista  informou que o encerramento da mostra acontece dia 21, com uma sessão ao vivo, onde vai brindar os convidados com a produção de uma obra. A exposição reúne 25 pinturas.  Estudante do Complexo de Escolas de Artes , Jardel Selele, 21 anos, detém um significativo número de participações em exposições colectivas, tendo-se destacado no “Coopearte”,  da galeria Celamar, nas edições de 2011, 2012 e 2013, em “Dinâmicas Juvenil”, realizado pela União Nacional dos Artistas Plásticos, em 2014, “Plasticidades Angolanas”, no  Fenacult 2015, na Baía de Luanda, e no IV congresso extraordinário do MPLA, no Centro de Convenções de Talatona, em 2015.
Foi no atelier Celamar  onde aprendeu várias técnicas com artistas Eduardo Vueza, Zeca Lukombo, Paulo Kussy, Marcela Costa, José João, João Jorge, Alves Manuel, Armando Scoot e Aristóteles Sanza André.

  Identidade Cultural
Dos 25 quadros, entre os quais três se destacam por representarem motivos da identidade cultural nacional, como “Identidade cultural”, e transportarem desenhos da população mucubal e mumuíla, como forma de divulgar as potencialidades do povo angolano.
Jardel Selele traz um estilo próprio, onde os quadros apresentam imagens em que o ser humano é revestimento de madeira. A proposta inovadora do artista centra-se em desenhos de pessoas feitos com palhas, discos e trapos de peças de roupa, cujas bases são contraplacados. Os traços que representam os rostos das pessoas ganham vida e transmitem movimento à exposição,  aberta ao público até ao dia 21.
Jardel Selele disse, ao Jornal de Angola, que a exposição é inclusiva, pois aborda dentre outros assuntos de natureza social, educativa e religiosa. O quadro intitulado “Carência” leva o público a reflectir sobre a realidade afectiva entre o ser humano e a situação financeira que o país enfrenta.

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