Cultura

Joana Taya e “os guerreiros no absurdismo fantástico”

Jomo Fortunato

A propósito da exposição, “Os guerreiros no absurdismo fantástico”, patente até 31 de Julho, Joana Taya fez uma abordagem com acentuado pendor metafórico, “Sim, somos guerreiros.

Artista plástica já realizou várias exposições individuais em Luanda, Noruega e Reino Unido
Fotografia: Edições Novembro |

Já ultrapassámos um trabalho rejeitado, um amor mal acabado, um dia mal passado, algum tipo de dor que nos fez adultos com cicatrizes de um passado de persistência de uma superação de obstáculos de alguma forma que nos fazem quem somos hoje. E no meio de todas estas conquistas, somos capazes de ver o positivo e continuar a lutar com uma curiosidade do dia do amanhã com uma ingenuidade bonita de permanecer no absurdo. É meramente a natureza humana. Guerreiros de um planeta de água salgada, com bocados de bagagem amarga, a navegar em busca de momentos doces”.
Desenhadora gráfica e pintora, com Mestrado em desenho gráfico e artes pela “University of Creative Arts, Farnham”, Reino Unido, Joana Taya vive e trabalha entre Lisboa e Luanda, e tem realizado as suas exposições , como veremos com mais detalhe, em galerias de Luanda, Noruega, Stavanger, China, Shanghai,  República Checa, Brno,  e Alemanha, Berlim. Ao longo da sua carreira artística, Joana Taya experimentou a pintura, colagens, artes gráficas, digitais, fotografia e costura.
Para além de pintora, foi também Professora de Desenho Gráfico em duas Universidades da Noruega durante cinco anos, tendo trabalhado como “freelancer” em desenho gráfico.  Enquanto curadora, Joana Taya esteve ligada aos projectos, “Residência Artística e Exposição Colectiva” da 3ª edição do “JAANGO Nacional” - Jovens Artistas Angolanos, Luanda, 2014, Residência Artística e Exposição Colectiva da 4ª Edição do “JAANGO, Nacional” - Jovens Artistas Angolanos, Luanda, 2015,e “Residência Artística e Exposição Colectiva da 5ª Edição do “JAANGO Nacional” - Jovens Artistas Angolanos, Luanda, 2016.
Filha de Nuno Borges e de Fátima Borges, Joana Taya nasceu na cidade do Lobito,no dia 23 de Agosto de 1977 e foi Coordenadora do Departamento de Desenho Gráfico e “Professora do ano” na Noruega.A sua obra figura em várias colecções, tanto nacionais como internacionais.

Exposições
Do período que vai entre, 2002 a 2017, Joana Taya realizou as seguintes exposições individuais, “O Mundo Colorido da Taya”, Mov’Art, Luanda, “Endangered Beauty”, Galeria Tamar Golan, Luanda , Sting, Stavanger, Noruega, “World Expo Shanghai” , Pavilhão de Angola na EXPO- Shanghai, “Sandnes  Kulturhus, Sandnes”, Noruega, “Endangered Beauty”- Tou Scene, Stavanger, Noruega,“Toyota de Angola”, Luanda, “Atelier Brasil”, Stavanger, Noruega, Soleado, Stavanger, Noruega, e “Taya”, Cenarius Gallery, Luanda. Joana Taya participou ainda nas seguintes exposições colectivas, “Thisisnot a white cube”, Galeria Banco Económico, Luanda, “Ballhaus Naunynstrasse”, Berlim, “Arquivo Morto”, BAI Arte, Academia BAI, Luanda, Galerie Brno, “MA Show, University of Creative Arts, Farnham, Reino Unido.

Depoimento 
Num estilo descontraído e com laivos de humor mas com muito sentimento, a artista plástica, Isabel Baptista, fez o seguinte depoimento sobre Joana Taya, “… E depois já grande, ela chegou mansamente sempre com aqueles olhos de ver e as mãos de fazer a palavra de sentir... o trilho a picada o caminho por entre câncer e capricórnio colhendo outras manias outros sabores, pessoas, planos e projectos esboçados na areia da praia... de “caxexe”... com “bwéee” de cor voltando e indo até lá do outro lado do mundo onde a lua é mais amiga e o sol vira rei dentro dela. Vai e volta em “esquindivas” por dentro de seus caracóis azeviche, primeira moldura e esboço da cor em múltiplas linhas arco-íris, distribuindo potes de mel e rebeldia boa! trouxe no colo um... Depois dois e são três vezes uma mãe inteira!!! Filha de caminhos e trilhos e marés em saldo e outra vezesmuitos mares que são a palete dessa miúda feita com o coração a bater, a bater, abater por uma banda que lhe confia e lhe estimula e lhe alimenta porque é sua por dentro e por fora! uf! Sem vírgulas nem pontuação direito! Como tu! ahaha como só a emoção ou e a razão no peito me fazem acreditar que sim! Vale a pena verbalizar o lado sim. O comboio da vida não pára! E tu fazes das estações e apeadeiros deles lugares bonitos! Com pessoas que conheces bem, com falas boas e estórias de vitórias colhidas o tempo todo. Olhos de ver mãos de fazer! Sempre muito bem! tá aí miúda linda do lado bom desse caminho. Descalças. Para não perdermos nem um pouquinho do calor do chão da terra! Love u! Porta-te mal !!!..”

Memorial
No âmbito da sua programação cultural semestral, o Memorial Dr. António Agostinho Neto realizou, de Janeiro a Junho, um conjunto de exposições de artes plásticas e de fotografia, com a competente curadoria de Dominick A. Maia-Tanner, das quais destacamos as seguintes, “Convocatória, Chicala Forever 2.0”, de Nelo Teixeira,  a colectiva “Pai grande nosso, tu és”, um tributo inédito ao Mestre Paulo Kapela, pelo seu renascimento e instinto peculiar de sobrevivência, “Vida e Fé”, dez obras do artista plástico, Ricardo Kapuca, que abordou, maioritariamente, motivos iconográficos de índole religiosa entre a figuração e abstracção, a sétima edição da colectiva, Plataforma de Fotografia Experimental, “Vidrul fotografia”, que juntou trabalhos dos fotógrafos, Toty Sa’Med, Albano Cardoso, Céus e Sebastião Vemba e a terceira edição da Plataforma de Fotografia Pan-Africana, com trinta e duas obras do prestigiado fotógrafo sul-africano, Sabelo Mlangeni.  A primeira edição da Plataforma de Jovens Artistas Angolanos, “Jaango Nacional” teve lugar em 2011, numa sequência cujo desafio tem sido trabalhar numa residência diurna de cerca de duas semanas, onde cada artista cria duas instalações. Para a nova programação semestral, que vai de Julho a Dezembro, estão confirmadas as exposições de Albino da Conceição, Don Sebas Cassule, Francisco Vidal, Mumpasi Meso e Ricardo Kapuka.

Tempo

Multimédia